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A morte ao vivo e a cores
A morte do papa foi um grande espetáculo de mídia, com direito a ensaio ao vivo. A emoção suplantou a informação e a idolatria tola tomou conta da imprensa. A melhor lembrança que tenho de João Paulo II é no Chile, em plena ditadura do Pinochet, um dos maiores assassinos contemporâneos (de braços com Hitler, Stálin, ..), acenando, pateticamente, para uma multidão que estava sendo espancada pela polícia, inclusive atingida por bombas de "efeito moral" como chamam. No campo das políticas sociais ele reforçou o conservadorismo da Igreja, remetendo-a à Idade Média, proibindo os métodos contraceptivos, inclusive a camisinha, que para aqueles que não fecharam os olhos à realidade que os cerca, é necessária para diminuir o impacto do HIV, principalmente entre os pobres. No ano passado o Vaticano publicou uma recomendação para que os padres não promovessem casamentos inter-religiosos, principalmente com muçulmanos. Ora, que apaziguador dos povos foi este homem, senão um produto da mídia? Nesse sentido a discussão que se trava na França é muito oportuna. Porque foram ao enterro desse indivíduo com o meu dinheiro? Não sou católico, muito menos cristão. O que Lula, demais autoridades e aspones presentes protagonizaram foi um espetáculo de péssimo gosto, anti-republicano (expressão tão ao agrado de petistas ilustres), que abusou do emocionalismo para envolver ainda mais os "crentes" na mitologia que cerca a figura do Papa. Por falar em papas, ninguém menciona o apoio ao nazismo, ao fascismo, o envolvimento com a máfia (veja o escândalo do Banco Ambrosiano - 1982)... Pelo que se pode ver ele não foi o único, nem será o último, representante de uma igreja reacionária e conservadora, que esconde os padres soropositivos e rejeita o uso da camisinha, que tolera a pedofilia dos seus sacerdotes mas nega-lhes o direito a uma sexualidade sadia e bonita, que abraça Pinochet, mas depois chama Sadam Hussein de ditador, como queria a grande potência aliada, os EUA, ao mesmo tempo em que declara não apoiar a invasão ao Iraque. Quando o Estado aceita as intromissões da Igreja o cidadão corre riscos, ao menos de ver o dinheiro público torrado numa viagem inútil e despropositada.
Escrito por Toni às 23h48
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