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Equador: crise sobre crise
Está difícil compreender a crise atual do Equador. Primeiro porquê nem bem termina uma e começa outra, depois em razão do noticiário que nos chega, por meio de agências noticiosas com traduções horrorosas, fica difícil compreendermos o que se passa.
As informações contidas no Terra parecem coisa de desvairado. O UOL hoje começou a acertar na cobertura. Características comuns: falta de análise e de crítica.
Algumas notícias dão conta que 62 deputados decidiram declarar o "abandono do cargo" por parte do presidente Lúcio Gutierrez e que o seu vice, Alfredo Palacio, assumiu prometendo cumprir a constituição, coisa que não o faz desde agora, pois não há, na constituição, nada que legitime o afastamento do presidente. Não que Gutierrez não tivesse feito das suas, mas o processo de afastamento constitucional teria que passar pelo impeachment.
O presidente Gutierrez foi eleito em 2002 trazendo uma longa lista de promessas ao povo sofrido e explorado do Equador. Povo que foi às ruas e conseguiu botar dois presidentes pra correr, mas que não possuía um projeto político de poder e viu no coronel populista uma resposta aos seus anseios. Rapidamente as promessas foram atiradas ao lixo e fez-se o acerto com os EUA, FMI e as empresas de petróleo.
Ao mesmo tempo em que traía os compromissos populares tentava associar-se a uma fatia dos eternos poderosos que comandam aquela pequena nação, rica em petróleo. Resultado, perdeu o apoio e a confiança dos primeiros sem ganhá-los do segundo grupo. Manteve-se no poder enquanto teve respaldo militar.
Interessante, mesmo com todos esses problemas, vermos as cenas de TV e compará-las ao que diz o narrador. Mostram populares atacando o local onde se reúnem os parlamentares golpistas, conflitos de rua entre grupos opositores, mas sem que se esclareça quem é contra ou a favor do presidente deposto, ou se existem grupos que são contrários ao presidente deposto, ao novo presidente, à Suprema Corte (estopim da atual crise), enfim, falta informação e sobra imagem.
Aguardemos os acontecimentos, enquanto notícias animadoras podem ser antevistas no noticiário confuso, como a formação de Assembléias Populares para pressionar o atual presidente Alfredo Palacio.
Escrito por Toni às 22h19
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Escrito por Toni às 22h39
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De volta para o passado
O anúncio do aumento da taxa Selic para 19,5% ao ano causou algum espanto no "mercado", que dizer então dos seres humanos comuns! Lembramos que a taxa básica de juros atingiu o seu apogeu em janeiro de 2003, compreensível ante o terrorismo eleitoral praticado pela mídia e pelos partidos derrotados nas eleições presidenciais de 2002. Logo depois que o bicho mostrou ser bem mais manso e muito dócil ao sistema financeiro e ao FMI começou um movimento descendente, permanecendo em 16% entre abril e agosto de 2004. A partir de setembro de 2004 o inferno se fez presente novamente. Parece-me que o governo deseja se superar. Como não sou economista tento pensar dentro de uma lógica que, tenho certeza, os doutos chamarão de simplista: se o governo sobe os juros para conter a inflação (crédito caro reduz a demanda), quer dizer que atingiríamos o paraíso se ninguém comprasse coisa alguma? Ou seja, para que o nosso capitalismo tenha sucesso não devemos consumir! E depois ainda falam em reeleição...
Escrito por Toni às 22h29
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O cinema entra em cena: a memória de um tempo de lutas
Lendo Carta Capital outro dia me deparei com notícias ótimas: três filmes que entraram em cartaz agora no mês de abril, trazem a ditadura militar, como tema ou pano de fundo. Cabra-Cega, Quase Dois Irmãos e Araguaia, a Conspiração do Silêncio prometem, pelo menos pelas intenções. A pesquisadora Taís Moraes e o jornalista Eumano Silva trazem a luz uma análise mais completa da Guerrilha do Araguaia no livro Operação Araguaia - os arquivos secretos da guerrilha (Geração Editorial). Será que conseguiremos recuperar nossa memória? Episódios assim são importantes para mostrarmos aos jovens que essa história de pacatice do povo brasileiro é conversa para boi dormir. Lembro-me de palestras memoráveis do historiador Clóvis Moura, sobre a resistência dos escravos no Brasil. As lutas por ele relatadas cuidaram de apagar da minha memória um livro sobre a abolição que li na 4ª série do ensino fundamental, num determinado momento relatava a visão de um observador estadunidense sobre a abolição: "o que no meu país custou muito sangue vocês conseguiram com rosas...", ou algo assim, afinal você não vão querer que eu me lembre textualmente de algo que li a 30 e tantos anos. Hoje a mística do brasileiro pacífico e cordial cambaleia por aí, mesmo diante da guerra civil não declarada que vivemos.
Escrito por Toni às 00h15
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