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Aos alunos e alunas, aos colegas professores e professoras, à Direção, enfim a todos os envolvidos, de alguma forma com o Cursinho da Poli.
Cheguei ao Cursinho da Poli em maio de 2003 indicado pelo professor Edílson, fraterno amigo de longa data. Fui entrevistado e contratado pelo Professor Roberto (Geopolítica), que me apresentou o projeto e o material. Naquele momento fui informado da criação do Instituto, dos problemas envolvendo o Cursinho e o Grêmio Politécnico e das grandes mudanças que se avizinhavam.
Conheci depois o André Miranda e com ele travei alguns diálogos elucidadores com relação a estas mudanças.
A crise de 2004 e suas conseqüências trouxeram muitas indagações sobre o meu posicionamento ante os fatos, que tentarei responder a seguir, elencando as diversas perguntas feitas a mim, ora direta, ora indiretamente.
Os alunos que me trouxeram essas questões sempre o fizeram de forma respeitosa e fora da sala de aula.
Por que você assinou a carta de novembro de 2004? Por quê naquele momento, e ainda hoje, os questionamentos me pareciam oportunos, além de possibilitar a aglutinação de professores em torno das discussões que ocorriam no Cursinho e abrir um canal institucional junto à direção.
Você concorda com a maneira como os professores Gisa, Gilberto, Haroldo e Roberto foram demitidos? Não. Se a alegação é pedagógica deveríamos, todos os professores, ter o conhecimento dessa avaliação, como sabemos que ela inexiste a justificativa PEDAGÓGICA não se sustenta. Além disso se os problemas se avolumaram a coordenação deveria ter impedido que tal acontecesse. Por estas razões assinei, junto com outros professores, uma carta de repúdio às demissões endereçada à direção e aos professores do Cursinho.
Você concorda com os métodos utilizados pelos professores demitidos na luta pela readmissão? Em termos. Quando um grupo de professores se posicionou contra as demissões entendi que as decisões seriam sempre coletivas, mas não foi isso que aconteceu. A publicação das cartas no orkut, a campanha pela imprensa, o envolvimento dos alunos, enfim, todo o desenrolar do processo foi feito à revelia do coletivo e com isso eu não concordei. Por outro lado, à medida que a luta diz respeito aos 4 demitidos, não cabe a mim julgá-los, pois somente eles sabem das dificuldades enfrentadas e das possibilidades de reversão da situação. Quando a discussão descambou publiquei nos grupos de discussão que participo uma carta de esclarecimento sobre o assunto.
Você acha que candidatura do professor Giba utilizou-se do Cursinho da Poli? Esse é um assunto sério, com implicações jurídicas, além das éticas e políticas para ficarmos no "achismo". Até o momento não foi mostrada nenhuma prova de tal uso. A mim não foi solicitada colaboração de espécie alguma para com a candidatura. Com a palavra o conjunto de professores. Discordei da forma como a candidatura foi encaminhada, sem nenhuma discussão política, e disse isso ao professor Giba e aos demais colegas.
Você desconfia de desvio de dinheiro ou de práticas desonestas por parte da direção do Cursinho? Não. Inclusive, em diálogo com um dos diretores, ele se dispôs a abrir estas contas. Normalmente quando se trata de gerir dinheiro "coletivo" sempre aparecem acusações e isso é leviandade, tais acusações só podem ser feitas com provas cabais ou indícios muito fortes. De toda a maneira o encaminhamento da polêmica para o Ministério Público poderá responder isso de uma vez por todas.
Você concorda com a transformação do Cursinho em uma Fundação? Em termos. Preciso de mais elementos para formar opinião. Não concordo com o método de transformação do Cursinho em Fundação, penso que os professores poderiam ser consultados e mais, têm que ter assento na curadoria. Não concordo com a estrutura da Fundação, da forma como vem sendo divulgada até agora.
Você acha que o Cursinho da Poli transformou-se num cursinho comercial? Ainda não. Esse assunto tem que ser cuidadosamente discutido. Não vejo contradição entre se pagar bons salários aos profissionais que ali trabalham e o oferecimento de um projeto de inclusão social. É possível, principalmente com um trabalho de aperfeiçoamento do material didático, ele poderia transformar-se em receitas para serem revertidas em bolsas, por exemplo, ou ainda serviços de assessoria para prefeituras que desejem a implantação de cursinhos comunitários. Pensando de uma forma simples: mais receitas, melhores salários e mais bolsas. Claro que quando essas receitas têm que sair dos aumentos de mensalidades o caráter social se perde.
Você acha que o Cursinho foi aparelhado pelo PT? Antes de responder a esta questão precisaríamos de algumas respostas que só o governo e o cursinho podem nos dar, como por exemplo o porquê da escolha do Cursinho para o Consórcio da Juventude e não a CUT, a Pastoral da Juventude, ou qualquer outra entidade que trabalhe com jovens na cidade de São Paulo? No momento da eleição o Cursinho foi aberto a todas as candidaturas do executivo, não sei dizer se o mesmo aconteceu com as candidaturas à vereança. Como podem perceber as perguntas que tenho não me permitem responder à questão, mas adianto que sou contra a instrumentalização de qualquer organização social em favor deste ou aquele partido, seja o PT, PSOL, PSDB...
Você é contra a AACP? Não, embora não concorde com algumas atitudes de membros da AACP e não tenha percebido, ao longo desses dois anos de trabalho qualquer ação positiva da AACP no sentido de trazer educação política ao conjunto de alunos ou mesmo representá-los. Precisaríamos ainda discutir o caráter da AACP, uma vez que os alunos do Cursinho permanecem pouco tempo na Instituição, ao contrário de um Grêmio Livre ou mesmo Diretório Acadêmico. Também precisaríamos verificar uma maneira coerente de estabelecer a representação discente, a meu ver não faz sentido eleições logo no começo do ano (o conjunto de alunos não se conhece) e "esticar" o mandato até o ano seguinte, afinal esperamos que todos (apesar de sabermos que isso não acontece) entrem na Universidade no final de cada ano.
Perguntas como essas foram feitas a mim em várias ocasiões. Solicitei calma aos alunos que as faziam, por quê no momento oportuno me pronunciaria. Penso que esse é o momento.
Depois dos acontecimentos envolvendo o professor Bassam, com quem mantenho discordâncias nesse processo, mas o tenho na conta de amigo e de grande professor, excelente figura humana, não é mais possível o silêncio, aguardando que as coisas se encaminhem.
Continuo reafirmando aquelas propostas do Manifesto dos Professores no ano passado.
Não consigo compreender o rancor por parte de alguns alunos, transformando professores e até mesmo colegas em alvos!
Não foi assim que aprendi a fazer política!
Minha política é com "P" maiúsculo e talvez por isso esteja sempre fora dos sistemas de poder, parece-me que os amigos anarquistas têm razão quando afirmam que o poder, por si só, faz mal.
Não é mais possível o ranger de dentes, as teorias conspiratórias, as ações sob pseudônimos, mesmo que orkutianos.
Ou vamos para o debate, fraterno e aberto, ou o futuro do Cursinho da Poli será muito incerto.
Abraços a todos.
Prof. Toni
Escrito por Toni às 13h59
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