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Os cargos de confiança

Além dos pontos abordados no texto anterior, talvez atenda por esse nome a espinha dorsal das crises políticas no país, em suas várias instâncias.

Retomar a idéia de concursos públicos talvez não seja má idéia, juntamente com a limitação desses cargos de confiança. No serviço público devem predominar os cargos técnicos, os de confiança, políticos portanto, deveriam restringir-se aos secretários ou chefes de gabinete das autoridades eleitas, como Presidente da República, Governadores de Estado, Prefeitos e seus ministros/secretários bem como dos legisladores dos três níveis de governo.

A redução no tamanho do balcão de negócios já traria benefícios imensos aos cofres públicos, embora saibamos que a corrupção viceja fartamente também em terras privadas.

Por falar nisso, se comprovada a história do "mensalão" cairá por terra um exemplo que sempre dou nas aulas quando tratamos de corrupção. Costumo perguntar aos alunos se eles já viram um "fiscal municipal" corrompendo "um fiscal estadual". A resposta é sempre negativa. Aproveito para deixar claro que a corrupção tem duas faces: corrupto e corruptor e que ela não é exclusividade do serviço público.

Nesta semana tem uma entrevista excelente na Carta Capital, com o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, intitulada FHC apoiaria "golpe branco", no mínimo instigadora.

Também a coluna do Clóvis Rossi na Folha de hoje está razoável, sem a costumeira faca nos dentes contra Lula, sob o título Preocupações nos faz lembrar das lambanças do governo FHC também.

Aliás soa estranho o tucanato, que tinha no seu procurador-geral da República o "engavetador geral" clamar por ética e investigação. Só para comparação: Roberto Jefferson diz que deputados "recebiam" o mensalão, já dois deputados com mandatos correndo em 1997, Ronivon Santiago e João Maia, citaram nominalmente o "Zé Dirceu" de então, o ministro Sérgio Motta, como o pagador dos R$ 200 mil pela aprovação da emenda da reeleição de FHC, e o que aconteceu? Nada. Alguns deputados renunciaram, a CPI foi abafado pelo PSDB-PFL e pronto.

Não se trata de defender os erros e equívocos desse governo, que existem aos montes, mas não podemos fechar os olhos a cretinice dos atuais paladinos da moralidade pública.

Da mesma forma que não cabe ao PT e aliados desqualificar agora o "nobre" deputado Roberto Jefferson, afinal ele foi convidado de honra para compor a "base aliada" (com aliado assim, quem precisa de oposição?) e entrou pela porta da frente. E todos no PT, do Presidente da República ao vigia da sede do partido em São Paulo, sabiam de quem se tratava.



Escrito por Toni às 23h56
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