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Mensalão: o escândalo passo a passo
Alguns alunos estão aturdidos com a velocidade e a quantidade de denúncias e já não sabem mais onde está o fio da meada. Segue um pequeno guia didático para entender o processo. Vamos por partes:
a) em maio a Revista Veja divulgou um vídeo mostrando um diretor, Maurício Marinho, dos Correios recebendo propina para facilitar uma contratação. Marinho afirmava que agia em nome e com a "cobertura" do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). Embora o presidente Lula tenha defendido o deputado, afirmando inclusive que entregaria a ele um "cheque em branco", o mesmo não fez o PT.
b) A oposição, PSDB e PFL, começaram a articular uma CPI para apurar as denúncias de corrupção, uma vez que Marinho afirmou que esquemas semelhantes estavam em vigor em outras estatais.
c) Alguns parlamentares da base aliada (PTB, PL, PP, PC do B, PT...) chegaram a assinar o pedido de abertura da CPI, mas o governo resolveu impedi-la, argumentando que ela se tornaria um "palanque eleitoral" para a oposição e que as denúncias já estavam sendo apuradas pela Polícia Federal, Ministério Público e Corregedoria da União. Os deputados dos partidos da base aliada concordaram em retirar as assinaturas, com exceção de alguns do PT.
d) Pronunciamentos de autoridades do governo e de membros do PT indicaram que apoiariam as investigações, o que fatalmente daria cabo da vida política de Roberto Jefferson, pois também o IRB, "posse" do PTB, estava envolvido nas denúncias, atingindo inclusive o genro do deputado.
e) Ao defender-se na tribuna da Câmara Jefferson contra-atacou, dizendo que aquilo denunciado no vídeo mostrado pela Revista Veja era "peixe pequeno" perto do mensalão. Explicou então que o mensalão um pagamento de R$ 30.000 que se fazia aos deputados da base aliada, principalmente deputados do PP e do PL, em troca de apoio às votações de interesse do governo. Neste dia acusou o então ministro da Casa Civil José Dirceu, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o secretário do PT, Sílvio Pereira, o publicitário mineiro Marcos Valério (seria o homem encarregado dos pagamentos), além de envolver a ABIn nas investigações em curso. Disse ainda que o presidente Lula foi informado disso por ele próprio, Roberto Jefferson, e que depois disso o pagamento haveria cessado.
f) Depondo na corregedoria da Câmara Roberto Jefferson deu um show de interpretação. Entrou como réu e ao cabo de mais de 5 horas de depoimento saiu como herói, como o homem que não encobre falcatruas. Enfrentou os líderes Valdemar da Costa Neto (PL) e Sandro Mabel e José Janene (PP), além de atacar novamente os dirigentes do PT, esforçando-se para não deixar as denúncias respingarem em Lula. A riqueza de detalhes e o jogo de cena foram elementos centrais do depoimento.
g) Surge, em entrevista reproduzida no site da Revista Istoé Dinheiro, uma ex-secretária do publicitário Marcos Valério fazendo inúmeras acusações ao dito cujo. Acusações estas desmentidas em depoimento à Polícia Federal, mas confirmadas ontem (21/6) em entrevista no Jornal Nacional da Rede Globo.
h) A CPI dos Correios foi instaurada, sob o controle do governo (Presidência e Relatoria). As investigações começam com uma medição de força entre governo e oposição. O governo quer fazer valer a letra da lei, ou seja investigar somente os Correios, mas a oposição quer investigar todos os episódios de corrupção.
Como resultado desse imbróglio o ministro José Dirceu renunciou e voltou a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Especula-se que outros deputados que ocupam cargos no ministério também voltarão à Câmara, como é o caso do ministro Ricardo Berzoini (Trabalho), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). Conforme notícias da grande imprensa é possível que o presidente Lula faça agora uma reforma ministerial de verdade, subtraindo do ministério nomes sobre os quais pesam acusações mais sérias, como é o caso do ministro da Previdência Social, Romero Jucá e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ainda de acordo com tais notícias o PT teria seu espaço reduzido em detrimento de uma maior participação do PMDB e do PP. Claro que as denúncias de corrupção servem de instrumento à oposição e não era diferente quando o PT ocupava tal espaço, talvez a maior diferença neste momento seja o papel da mídia conservadora, ávida por destruir o PT e trazer de volta o "príncipe" dos sociólogos e sua turma emplumada.
Escrito por Toni às 09h35
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