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Basta de sangue no chão da floresta
Basta de sangue no chão da floresta Greenpeace envia carta ao governo exigindo o fim das causas que motivam a violência na Amazônia
O Greenpeace enviou hoje (13/02/2005) carta ao presidente Luis Inácio Lula da Silva e ao governador do estado do Pará, Simão Jatene, exigindo investigação rigorosa sobre o assassinato da missionária americana Dorothy Stang, 73 anos, e a punição exemplar dos responsáveis. Na carta, o Greenpeace demanda dos governos federal e estadual a implementação de medidas concretas que acabem com as causas que motivam a violência na Amazônia, como a grilagem de terras públicas e a exploração ilegal de madeira, garantindo um futuro sustentável para a floresta amazônica e seus habitantes.
"O governo precisa estar presente na Amazônia e dar um basta nesta matança que caracteriza a região como um terra onde impera a lei do mais forte e não as leis do Estado", disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace, que está em Altamira. "Não podemos aceitar mais mártires na Amazônia. Também não aceitamos nem mais uma gota de sangue no chão da floresta".
Irmã Dorothy, como era conhecida, foi assassinada neste final de semana com 3 tiros no Travessão do Santana, município de Anapu, no Pará. O crime aconteceu 16 anos depois da morte de Chico Mendes, quando irmã Dorothy seguia para o Projeto de Desenvolvimento Sustentado (PDS) Esperança, junto com mais companheiros.
Irmã Dorothy vivia há mais de 30 anos na região da Transamazônica e dedicou quase a metade de sua vida a defender os direitos de trabalhadores rurais contra os interesses de fazendeiros e grileiros da região. Desde 1972, ela trabalhava com as comunidades rurais de Anapu pelo direito a terra e por um desenvolvimento sem destruição da floresta.
Trabalhava intensamente na tentativa de minimizar os conflitos fundiários, principalmente a grilagem de terras e a extração ilegal de madeira. Por causa disso, chegou a ser acusada, em 2001, de instigar a violência no município e recebeu inúmeras ameaças de morte nos últimos anos por causa de sua luta pela preservação da Amazônia. Também fez diversas denúncias sobre a participação de policiais civis e militares na expulsão de trabalhadores a mando de fazendeiros e grileiros da região.
13-02-2005 - Anapu (PA) Íntegra da carta enviada pelo Greenpeace ao presidente Lula e ao governador do Pará Simão Jatene
Para: Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Federativa do Brasil
Excelentíssimo Senhor Simão Jatene Governador do Estado do Pará
CC Excelentíssima Senhora Marina Silva Ministra do Meio Ambiente
Excelentíssimo Senhor Miguel Rossetto Ministro do Desenvolvimento Agrário
Excelentíssimo Senhor Márcio Thomaz Bastos Ministro da Justiça
Excelentíssimo Senhor Celso Amorim Ministro das Relações Exteriores
Excelentíssimo Senhor Nilmário Miranda Secretário Especial dos Direitos Humanos
Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 2005.
Excelentíssimo Senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Excelentíssimo Senhor Governador do Pará Simão Jatene,
O assassinato da missionária americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, 73 anos, neste final de semana no município de Anapu, no Pará, é mais um triste exemplo da impunidade e da ausência do governo em regiões remotas da Amazônia, onde a violência continua imperando. Trata-se de um episódio inaceitável e escandaloso.
Irmã Dorothy, como era conhecida, acreditava num futuro pacífico e sustentável. Defendia como poucos o patrimônio nacional dos ataques de grileiros e era incansável defensora de uma forte presença do Estado na Amazônia. Há mais de 30 anos vivia na região da Transamazônica e dedicou quase metade de sua vida para dar voz às comunidades rurais, defendendo o direito à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento sem destruição da floresta.
O assassinato de Irmã Dorothy era uma morte anunciada. Por sua luta em defesa da Amazônia, ela foi agredida, injustamente acusada de incitar a violência na região e ameaçada de morte inúmeras vezes.
O Pará apresenta o maior índice de assassinatos ligados às disputas de terra. Entre 1985 a 2001, quase 40% as 1237 mortes de trabalhadores rurais no Brasil aconteceram no Pará. É ainda o estado campeão de desmatamento ilegal, exploração de madeira, grilagem de terras, trabalho escravo e palco de escandalosas denúncias de abuso aos direitos humanos, como denunciado no relatório do Greenpeace "Pará: Estado de Conflito", lançado em outubro de 2003 (Clique para ver)
Dezesseis anos depois da morte de Chico Mendes, a impunidade continua caracterizando regiões remotas da Amazônia. Não podemos aceitar mais mártires na Amazônia. Também não aceitamos nem mais uma gota de sangue no chão da floresta.
Sr. Presidente e Sr. Governador, as autoridades de seus governos e principalmente do governo estadual já haviam sido alertadas sobre os conflitos na região e sobre os riscos que Irmã Dorothy corria. Mas nenhuma medida para garantir sua segurança e de outras lideranças foi tomada. O Greenpeace exige que seja realizada uma investigação rigorosa, punindo exemplarmente os responsáveis e dando um basta nesta matança que caracteriza a Amazônia como uma terra aonde impera a lei do mais forte e não as leis do Estado.
Confiamos que o governo brasileiro não medirá esforços para assumir sua responsabilidade em relação a este crime e implemente medidas concretas que acabem com as causas motivadoras da violência como a grilagem de terras públicas e exploração ilegal de madeira, garantindo um futuro sustentável para a floresta amazônica e seus habitantes.
Atenciosamente,
Frank Guggenheim Diretor- Executivo do Greenpeace no Brasil
John Passacantando Diretor- Executivo do Greenpeace nos Estados Unidos
Gerd Leipold Diretor-Executivo do Greenpeace Internacional
Publicado em Revista Novae 15/2/05.
Escrito por Toni às 00h00
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Janeiro, Impostos: IPVA e pedágio urbano
Chega janeiro novamente. E com esse simpático primeiro mês do ano, aquela avalanche de impostos: IPVA, IPTU, Taxa disso, taxa daquilo...enfim uma drenagem nos bolsos do povo.
Talvez o imposto mais inútil que somos forçados a pagar seja o tal do IPVA. Para quem não sabe: Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores
Falando especificamente da cidade de S. Paulo, onde convivemos com um rodízio que impede cada contribuinte de utilizar seu veículo em um dia da semana no centro expandido da cidade ( imagino que + de 90% dos carros necessitem de transitar nessa área ) seria razoável uma diminuição de 20% nesse tributo. Como a cidade não tem sua malha viária devidamente mantida em boas condições, muito pelo contrário; tem mais buracos que nosso simpático satélite, a Lua; seria razoável que o IPVA tivesse mais um considerável desconto, quem sabe retribuindo o que cada motorista precisa gastar por ano trocando peças de suspensão, pneus, rodas e afins, chegando assim num desconto de ...digamos... 50%. Outra coisa que observa-se constantemente pela cidade, é o número de veículos de 20, 30 anos rodando sem a menor condição de uso: - São Kombis banguelas, Fuscas requenguelas, Brasilias desbeiçadas, Caravans desmilinguidas, enfim, uma infinidade de latas velhas que poluem muito mais que os outros carros, expõe os pedestres, passageiros e outros carros a um iminente risco, cometem um sem-fim de infrações por falta de segurança e manutenção e mesmo com todos esses problemas são premiados com a isenção do IPVA. Não sou contrário a isenção do imposto, mas acho que caberia aos serviços públicos uma fiscalização eficaz nas condições dos veículos com mais de 10 anos de uso. Seria o caso de inspecionar anualmente para dar ou não a licença para trafegar. Mas a máxima de nossas autoridades é arrecadar sem ter trabalho.
Quando saímos de S. Paulo para aquela merecida viagem, mais uma vez nos lembramos do sorridente imposto ( sim - ele ri da nossa cara ): Temos que pagar um altíssimo valor nos dezenas de pedágios que vão tungando o bolso do início até o fim do passeio. Uma grande incoerência. Portanto o desconto no IPVA deveria ser integral !!! - Isso mesmo, eu acho que ninguém deveria pagar IPVA.
Ouvindo a rádio CBN num dos primeiros dias úteis do ano, uma pessoa ligada ao prefeito José Serra, que assumiu o cargo no dia 01/01/2005, defendeu a adoção de um pedágio urbano na cidade de S. Paulo no valor aproximado de R$ 3,00 por dia, para que fosse financiado por esse novo imposto a ampliação das linhas de metrôs na cidade. Citou o exemplo de Londres, onde ( eu não sei ) está em vigor tal imposto e blá, blá, blá, blá... Oras bolas, será que seremos sempre tratados como inocentes ??? Será que um londrino tem que dirigir desviando de crateras e latas velhas ??? Será que um londrino paga o mesmo imposto várias vezes e ainda é impedido de usar seu veículo ??? Num passado recente, o governo federal criou o CPMF, um imposto cobrado de todos os cidadãos como forma de financiar o sistema de saúde do país. Esse imposto que tinha começo e fim, e tinha um fim, não teve fim. Nunca foi usado na saúde e até hoje tunga os bolsos dos contribuintes e financia o pagamento de juros da dívida externa e outras mirabolâncias que nossos políticos costumam sustentar. Sabemos muito bem que esse discurso de criar uma taxa para financiar determinada área social, não se concretiza. Fica a taxa e não se resolve o problema proposto. Portanto: - Eu não quero pagar pedágio urbano. - Eu não quero pagar pedágio urbano. - Eu não quero pagar pedágio urbano.
- Estou cansado de impostos e impostores.
Texto postado por Rogério em 20/01/2005.
Escrito por Toni às 23h14
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O retorno do Big Brother
Hoje estou mais chato do que o normal. Explica-se: 2ª fase da Fuvest, prova de Geografia. É sempre um momento de tensão, mas desta vez a surpresa foi boa. Prova abrangente, com assuntos pertinentes e contextualizados, ideal para o aluno demonstrar seus conhecimentos, interpretações e inter-relações espaciais. O que está me deixando muito irritado mesmo é essa repercussão toda do programa Big Brother, em sua quinta edição. Esse tipo de programa virou moda. Alguns são até agradáveis, como "O Aprendiz" e "Sem Saída", ambos da emissora da Igreja Universal - Rede Record - a meu ver com alguma inteligência e entretenimento razoável. O BBB5 promete o mesmo nível dos anteriores: nenhum! O que me constrange é saber que esse tipo de programa dá uma audiência danada. Não consigo entender o porquê. Parece-me o supra-sumo do mau gosto, juntamente com os programas do João Kleber, Gugu, Faustão e outros que tais. Será que temos um toque masoquista no nosso dia-a-dia? Que tipo de divertimento há nisso? Cheguei a ficar muito espantado quando vi a discussão de um BBB dentro de uma sala de professores. Acho um disparate esse nivelamento rasteiro. Não sou um puritano, ou intelectualóide patrulheiro, tenho minhas fraquezas (adoro os filmes do 007, principalmente aqueles com Sean Conery), mas discutir BBB e novela é o fim, não há diálogo que resista a isso. Quem desejar um reflexão mais aprofundada recomendo a leitura do artigo publicado na seção Remoto Controle do portal de notícias Agência Carta Maior: O vazio do Big Brother. Abraços.
Texto publicado em 11/01/2005.
Escrito por Toni às 01h14
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Beijo
Gostaria de escrever hoje sobre o beijo.
Não o beijo apaixonado, anúncio e preâmbulo da paixão.
Trata-se do beijo entre homens.
A partir da minha adolescência comecei a freqüentar a casa dos meus avós maternos em Bauru, interior de São Paulo, e a tomar contato com uma quantidade de primos, primas, tios e tias.
Tornou-se comum reunirmos boa parte de nossa enorme família nos aniversários do meu avô, em junho. Assim fizemos até ele completar 90. Alguns meses depois ele faleceu.
Também era comum fazermos uma festa na passagem do ano, na casa do tio Juvenal (já citado por aqui em outro texto).
Era o momento de reunirmos os primos, amigos e demais parentes. A festa atravessava a madrugada e, por vezes, tinha seqüência num alentado almoço no primeiro dia do ano, sempre com muita cerveja e alegria.
Seu "Juva" sentia um imenso prazer em ver aquela reunião, por mais trabalho que aquilo proporcionasse.
Várias vezes, quando me despedia dele, sentia vontade de aplicar-lhe um sonoro beijo nas bochechas, mas a distância respeitosa, as reticências que possuímos com relação a determinadas manifestações (isso não é coisa pra macho!), sempre tolheram essa vontade.
Faz alguns anos ele caiu doente. Cada vez que nos encontrávamos ele estava mais debilitado, mas muito alegre por estar vivo. O carinho que sentia por ele só aumentava.
A maneira altiva como enfrentou a doença foi admirável.
Ano passado, por esta época, recebemos a notícia que ele piorara bastante.
Eu e minha irmã caçula, Sonia, resolvemos fazer uma rápida viagem até Bauru.
Nos preparamos para não demonstrar fraqueza perante os primos e fomos, esperando pelo pior.
Quando chegamos ao hospital ele estava surpreendentemente melhor. Consciente, embora com muitas dores. A doença já lhe colocava uma série de limitações.
Conversamos um pouco para não cansá-lo e prometemos vê-lo no outro dia, um sábado, na casa de uma de suas filhas, para onde ele iria ao sair do hospital.
Assim fizemos. Ao nos despedirmos, ele me fez um pedido:
- Antonio Carlos, posso lhe dar um beijo?
Como foi difícil não chorar.
Ele me beijou um muito carinho, eu retribuí com outro beijo e um abraço caloroso.
Alguns dias depois, em 23/1, ele nos deixou, descansou para sempre.
Hoje penso porquê não o abracei mais, o beijei mais, para que ele pudesse perceber todo o carinho que eu tinha por ele.
Estive em Bauru neste final de semana. Fui recebido pela minha tia e pelos meus primos com muito carinho, com muita alegria e também tristeza.
Ao despedir-me beijei cada um dos meus primos.
Assim farei de agora em diante com as pessoas que amo: não vou mais economizar beijos e abraços.
Texto publicado em 18/01/2005.
Escrito por Toni às 11h56
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