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Violência no futebol

O espetáculo de violência ontem na Vila Belmiro foi lamentável.

Hoje a mídia discute de quem é a culpa. Como se adiantasse!

Uns culpam a decisão de anular os jogos dirigidos pelo juiz do "apito amigo das apostas". Não havia outra decisão possível!

Qual seria a alternativa? Examinar jogo a jogo e deixar as paixões dos torcedores aflorarem?

A arbitragem ontem foi horrível, como de resto em todo o campeonato. Erros prejudicaram os dois times.

Além dos erros técnicos, marcações equivocadas, também a parte disciplinar foi frouxa, no mínimo!

Não podemos deixar de perceber o papel negativo da imprensa.

Ontem acompanhei parte do jogo ouvindo a CBN e também a Joven Pan pela Internet. Na Joven Pan o comentarista, Nelo Rodolfo, criticava a CBF, o STJD, ou seja, parecia querer apagar fogo com gasolina.

Na CBN o narrador Paulo Massini insistia em chamar o torneio de "Copa Edílson Pereira de Carvalho" em alusão ao famigerado árbitro - réu confesso - que gerou toda essa confusão. Diga-se em favor do narrador que a análise dele hoje na CBN foi perfeita, coerente e o tenho na conta de um ótimo repórter e narrador, mas a forma como ele se referia ao campeonato ontem também ajudou a insuflar a torcida santista.

As atitudes de alguns jogadores foram a pior parte do espetáculo.

O que fizeram os experientes e renomados Zé Elias e Giovanni não teve o mínimo sentido. O primeiro provocou a torcida contra o árbitro Cléber Abade, o segundo chuta a bola para a torcida após o terceiro gol do Corinthians. Foi a gota d'água!

Também não foi simpática e prudente a atitude dos jogadores corintianos dançando para comemorar a vitória. Será que pra jogar futebol há que faltar neurônios?

Já é hora de punir seriamente os jogadores que insuflam a torcida contra a arbitragem ou contra o adversário. Tais punições têm que ocorrer, mesmo que baseadas em imagens da TV.

No caso do jogo de ontem outros deverão ser punidos: os organizadores do evento (Santos ou CBF?), os responsáveis pela segurança e os torcedores vândalos.



Escrito por Toni às 19h03
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Educação política

Vivemos uma crise na nossa sociedade.

Penso que essa crise tenha começado aí por volta de 1500. Agora ela está totalmente exposta, seja na política de alta rapinagem seja no cotidiano. Do deputado safado ao flanelinha que pratica extorsão, passando pelo árbitro de futebol que arruma os resultados dos jogos em benefício de alguns apostadores.

Não é, portanto uma crise política apenas.

Às vezes tenho a impressão que as pessoas que reclamam, a maioria pelo menos, o fazem por não se beneficiar das maracutaias.

Por outro lado percebo uma dificuldade muito grande em imputar as responsabilidades pertinentes, mesmo por parte daquelas pessoas razoavelmente informadas e com bom nível de educação formal.

A educação política acontece, prioritariamente, dentro dos sindicatos, partidos políticos, ONGs, associações comunitárias, centros acadêmicos, etc. e com o próprio amadurecimento do indivíduo. É fácil perceber no entanto que o individualismo presente no nosso modo de vida afasta as pessoas dessas instituições participativas.

Entendo que a ação política, o exercício da cidadania, independe da escolarização, mas, por outro lado, sinto que a escola poderia contribuir decisivamente com a formação política dos nossos jovens.

Não no aspecto partidário, mas no conhecimento da Constituição, por exemplo, assim como dos demais aspectos legais da defesa do cidadão, do conjunto de deveres e direitos pertinentes ao exercício da cidadania, além da história dos partidos políticos, do sindicalismo, do movimento estudantil, enfim das inúmeras oportunidades que, ao longo da história, fizeram do povo protagonista do seu próprio destino, sem depender dos heróis, fabricados ou verdadeiros.

Talvez uma disciplina escolar, calcada nas relações interdisciplinares, que retome o que havia de bom numa matéria imposta pela ditadura militar, OSPB (Organização Social e Política Brasileira), que foi brilhantemente reformulada numa coleção didática escrita por Frei Betto.

Teríamos então um grande encontro da História e da Geografia, mediado pelo Português, com o apoio das outras disciplinas escolares para, num esforço conjunto, oferecer ao aluno possibilidades de leitura do mundo que o capacite ao pleno exercício de sua cidadania, entregando-lhe um arsenal adequado para a leitura da grande mídia sem cair na armadilha do sensacionalismo barato das notícias frugais.

Temas como crise política, reforma política, América Latina, ambiente, mídias, saúde (física, mental, sexual), enfim um amontoado de temas que, repito, em conjunto com as outras disciplinas escolares, poderiam ser abordados de acordo com os anseios da comunidade escolar e do contexto que lhe diz respeito.

Claro que tal proposta não pode se distanciar de uma melhoria no sistema educacional, com melhores salários e capacitação para os profissionais envolvidos na sua execução.



Escrito por Toni às 22h43
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