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Sobre texto do "Tiba, psiquiatra, psicodramatista e educador..."
Hoje me deparei com um texto que começava assim, como está no título. O número de erros, algumas construções confusas, argumentos toscos e desencontrados, fizeram-me suspeitar da veracidade da autoria, assinado por Içami Tiba.
Como sempre faço com esse tipo de texto, busquei confirmação. Entrei em contato com a editora responsável pela publicação dos livros do supra citado e, para minha surpresa, a autoria do texto foi confirmada.
Para ler o texto na íntegra clique aqui.
Tratarei de comentar algumas passagens.
Vamos a primeira:
"Mais do que com armas, é com conhecimento que se pode fazer uma reviravolta neste país, que sobrevive apesar da falta de ética de parte grande dos nossos governantes."
Nossa! Que novidade! Só faltou agregar aos nossos governantes os empresários que sonegam, os escritores que enchem os bolsos com livros de auto-ajuda, os jornalistas que vendem matérias, os donos de revistas que vendem capas, os torcedores que se matam no futebol, os professores relapsos, os estudantes que colam...
A crise é da sociedade e isso não tira um palmo de culpa dos corruptos de plantão que, ao contrário dos anteriores, deixaram-se apanhar.
A segunda:
"Me revolta um governo que promove um referendo com uma pergunta capciosa, fingindo querer ouvir o povo. Por que não perguntar se o brasileiro gostaria de ver sua mulher e filhos estuprados e sua casa arrebentada, porque os "maus elementos" estavam armados e ele desarmado?"
Aqui o bicho pega! O governo não promove nada, ele apenas cumpre a Lei nº 10826 de 22/12/2003, que no seu artigo 35, § 1º, previa o referendo para outubro de 2005, numa época em que ninguém falava de "mensalão" ou "mensalinho". E a ironia sobre "mulher e filhos estuprados"? Já viram coisa mais estúpida?
Terceira passagem: "Qual a diferença que existe entre tais "maus elementos" que nos assaltam, armados com armas de fogo, e outros que, tendo o poder nas mãos, nos assaltam com caneta, nos tirando quase três meses de cada ano trabalhado para lhes sustentar, enquanto a nossa família praticamente passa fome?"
Nenhuma, a não ser pela rapidez da ação. Agora quem são aqueles que nos assaltam com a caneta? Os políticos? Todos ou alguns? Como nos tiram os três meses? Será que o psicodramatista se refere aos impostos que pagamos? Ele é contra pagar impostos ou o destino que é dado a eles?
Olha isso: " Me preocupa, ainda, saber quem será o grande beneficiário deste gasto com o referendo. Muito mais útil e correto seria utilizar esta importante verba para a educação. Dos grandes problemas deste país, não destacamos somente a falta de estudos, cultura e educação, mas também o mau uso econômico e ético que as elites políticas fazem deste povo."
Bom, se os políticos não prestam e a democracia direta também não lhe serve por ser muito cara, então como resolveremos as questões do Estado? Nomeamos um sábio? Quem nomeará?
E tem mais: "O governo, através de uma inteligente manobra de massas, mais uma vez vende ao povo a idéia que são as armas de fogo as culpadas pela violência e, numa eficiente estratégia de marketing, "mata dois coelhos com uma cajadada só": a) demonstra estar adotando providências contra a criminalidade; e b) esconde sua ineficiência e incapacidade de lidar com a situação da violência desmedida em que se encontra nosso país."
Manobra de massas? Vende a idéia? Em nenhum momento o "governo" diz estar adotando providências contra a criminalidade, alguns idiotas sim, principalmente aqueles que defendem de forma bestial o "NÃO". Quanto ao item b, concordo plenamente, haja visto o caso de irmã Dorothy, dos assassinatos de sem-terras e sindicalistas e tantas outras barbaridades que permanecem impunes.
Para concluir: "Com minha experiência de educador, reforço: não serão essas medidas, populistas, que farão efeito. Somente os livros, a educação a logo prazo (sic) e a ética - palavra em falta no vocabulário de nossos políticos - poderão mudar esse Brasil."
Que livros seu moço? Então a participação direta da população nas decisões que lhe atingem significam "medidas populistas"? Claro que precisamos de educação e que isso é dever do Estado, também precisamos de ética, não só os políticos, mas toda a sociedade e isso é dever dessa mesma sociedade.
Escrito por Toni às 10h54
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