Prof Toni
   



BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Jaguaré, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Política, Livros
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Lula no Roda Viva

Não pude acompanhar todo o programa. Assisti após as 23 horas.

Gostei do que vi.

Fico aqui pensando: porque Lula e o PT não fizeram isso em maio ou junho?

Não estou querendo discutir se ele sabia ou não do "caixa 2", penso apenas que a opinião pública, seus eleitores principalmente e os brasileiros em geral mereciam ouvir explicações claras de sua própria boca.

Por que tanto medo da imprensa? Bem verdade que temos um monte de desqualificados publicando por aí, mas a bancada de ontem era boa, com diversidade nos tons da plumagem e na ideologia.

Ontem vi Lula com postura de estadista.

Isso não muda uma vírgula do que penso sobre o atual governo, que dá continuidade ao programa neoliberal tucano, com melhorias cosméticas nos programas sociais.

Um governo que paga R$ 145 bilhões de juros da dívida externa num semestre e segura as verbas orçamentárias para as áreas de saúde, educação, ambiente e segurança pública nunca terá o meu apoio.

Atitudes como a de ontem podem contribuir para combater o preconceito de classe que a direita e os conservadores atiram na nossa cara a todo o momento, quer seja pelas páginas de Veja, Folha ou no cotidiano.

Insisto: criticar e divergir do governo, qualquer que seja ele, é legítimo! Apresentar para isso argumentos toscos, covardes e preconceituosos é inaceitável!


Escrito por Toni às 15h34
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José Genoíno

Fui ao sacolão no Butantã no último domingo. Ao sair, por volta das 11 horas da manhã, vi uma figura solitária ao lado do carro, fumando.

Era José Genoíno.

Nem sombra daquele deputado eloqüente, com um carisma formidável, candidato a governador extremamente popular.

Amuado em seu canto, com medo do contato com seus antigos eleitores, era uma verdadeira sombra política.

Participei da primeira campanha de José Genoíno para deputado federal em 1982.

Tinha uma enorme admiração pela sua capacidade de oratória e pela sua história política. Naquela mesma eleição ele me decepcionou profundamente, senti-me traído, pois ele e sua turma abandonaram o candidato a deputado estadual, o operário Fernando do Ó. Ambos compunham uma "chapa" por assim dizer.

Enquanto nós carregávamos a candidatura de Genoíno na zona sul da cidade, ele fazia conchavos com políticos do tipo de Sérgio Santos e Paulo Diniz, populistas, que algum tempo depois abandonaram o PT.

Depois da campanha evitei contato com ele e seu grupo.

Durante minha militância no PT, que durou efetivamente até a metade da década de 90, vi o seu direcionamento para a direita partidária até a composição do tal "Campo Majoritário".

Ao olhar aquele homem grisalho, triste e amedrontado, olhei também para o meu passado militante.

Vi minha incapacidade de fazer política, minhas derrotas com mais um punhado de companheiros, incapazes de fazer o PT cumprir seu papel histórico de educar o povo brasileiro para a política.

Senti pena. Dele. De mim mesmo. Também do povo brasileiro.

Escrito por Toni às 15h13
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