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Herr Bornhausen e a raça (parte II)

Herr Bornhausen e a raça (parte II)

Essas são apenas duas das muitas manifestações de repúdio à racista afirmação de Bornhausen, que foi governador biônico na época do governo do general Figueiredo.

Jorge Bornhausen escolheu Emir Sader para bode expiatório: na quarta-feira, 25/01/2005, anunciou, na tribuna do Senado, que havia impetrado processo judicial contra o professor, acusando-o por injúria e difamação. E agora escreveu um artigo no jornal Folha de São Paulo, esclarecendo o sentido em que empregou a palavra "raça", da qual pretendia se ver livre.

Em "Raça, segundo são João, segundo Bornhausen", ele explica:

"Embora a carapuça que joguei lhes fosse rigorosamente ajustada, os tais indesejáveis que nos envergonham pelos atos que as CPIs estão devassando escolheram outra forma de reclamação. Passando por vítimas, acusam-me de reacionarismo explícito, de ter profetizado um castigo de 30 anos não para eles, mas para as esquerdas em geral.

Grandes malandros, querem se confundir com o pensamento socialista brasileiro!

Ora, os setores de maior representatividade da esquerda brasileira já estão na oposição. Desenganaram-se a tempo, antes que fossem conspurcados pela lambança. Ou aparece alguém para negar representatividade ao PDT, de Brizola? Sou testemunha pessoal, porque ouvi dele próprio o seu desencanto. Ou também o PPS, liderado pelo deputado Roberto Freire, não representa a esquerda? Ou há dúvida sobre a autenticidade do emblemático deputado Gabeira? Ou os petistas ideológicos expulsos do partido por cobrarem coerência e honestidade, insurgindo-se contra o grupo, camarilha ou raça -o sinônimo que escolhi- não são esquerda? (...) Pois eis-me cercado de abonações. Primeiro, o sábio Antenor Nascentes, no seu delicioso "Tesouro da fraseologia brasileira", que teve uma reedição nos anos 1980, pela editora Nova Fronteira. Segundo Antenor Nascentes, a prosa popular brasileira emprega a palavra raça no sentido como a usei, no sentido de "gente perversa". O melhor, porém, é a origem histórica desse uso da palavra. Outro amigo veio me abrir o Novo Testamento, no Evangelho de Mateus, capítulo 3º, versículos de três a dez. É um registro de são João Batista chamando de "raça de víboras" aos "fariseus e saduceus", que, desconfio, deviam ser a camarilha corrupta da época, oportunistas e que pretendiam ser melhores que os outros. Raça de víboras. E bote víboras nisso".

Agora temos a confissão explícita, sem meias-palavras, do senador Bornhausen, de o quanto ele e os seus pares temem o PT, de quanto pavor o PT lhes causa. Bornhausen vibrou! Cantou vitória, estimou com excesso de otimismo, conforme ele mesmo afirma, 30 anos de ostracismo para o PT! Felizmente, a realidade está se revelando outra, o PT está saindo dessa plantada crise política fortalecido, o seu crescimento agora será bem mais qualitativo.

Herr Bornhausen elegeu "os setores de maior representatividade da esquerda brasileira": o PDT, o PPS, os deputados dissidentes do PT Gabeira (que já declarou respeito pelos que o torturaram nos porões da ditadura), Babá, Luciana Genro, e a senadora Heloísa Helena. Para ele, estes formam, hoje, aquilo que, nos tempos da ditadura, os generais de plantão chamavam de "esquerda confiável", aquela que fazia seu papel no cenário político, mas não tinha pretensões de ascender ao poder. Fogo de palha. Agora só resta saber se a atual "esquerda confiável" cala e consente.

P.S.: Ato falho do senador Bornhausen: a sua declaração fora em resposta à seguinte pergunta de um jornalista: "O senhor não está desencantado com tudo isso que acontece no Brasil?". Não, pelo visto, para quem esteve no poder nos últimos 40 anos, denúncias de corrupção não fazem a menor diferença. O importante era a possibilidade de voltar ao trono, por uns 30 anos: "Estou é encantado...".

publicado na revista eletrônica Nova-e



Escrito por Toni às 13h32
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Herr Bornhause e a raça

Herr Bornhausen e a raça (parte I)
Fernando Soares Campos

O senador Jorge Bornhausen (PFL-SC, presidente do partido), em agosto de 2005, num momento de euforia, acreditando que a plantada crise política do governo Lula teria detonado o PT e, em conseqüência, tornado o presidente da República refém de uma espécie de ditadura da oposição, declarou: " Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos". Poucos dias depois, em vários pontos do centro de Brasília, surgiram cartazes com fotomontagens do senador Jorge Bornhausen usando uniforme de nazista, com um bigodinho à Hitler, ao lado dos dizeres: "Vamos acabar com 'este' raça. Pretos, pobres e operários nunca mais!". A confecção do apócrifo cartaz foi imediatamente atribuída a integrantes do governo. O ex-ministro dos governos Sarney e Collor Jorge Bornhausen afirmou categoricamente: "Isso é que é nazi-fascismo, e foi pago com o dinheiro da corrupção".

— Jorge Bornhausen é disparado o maior farsante que tentou expressar alguma inquietação moral. Contudo, o nível de ausência de zelo em si é tão latente que ao longo do ano ele expeliu dois atos falhos reveladores da sua personalidade e visão de mundo (Lacan explica as razões dos atos falhos). O primeiro foi o amplamente divulgado: Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos trinta anos. Isto é puro racismo e ainda com a agravante de querer instituir no país uma segregação tipo apartheid Luís Manuel Domingues, Historiador e Professor de História da Universidade Católica de Pernambuco, em "2005, o ano em que não fomos incautos – As conversões no caminho de Brasília". Leia completo

— O senador Jorge Bornhausen é das pessoas mais repulsivas da burguesia brasileira. Banqueiro, direitista, adepto das ditaduras militares, do governo Collor, do governo FHC, do governo Bush, revela agora todo o seu racismo e seu ódio ao povo brasileiro com essa frase, que saiu do fundo da sua alma – recheada de lucros bancários e ressentimentos. Repulsivo, não por ser loiro, proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior, mas por ser racista e odiar o povo brasileiro. Ele toma o embate atual como um embate contra o povo – que ele significativamente trata de "raça" Emir Sader, professor de Sociologia da USP e UFRJ, em "O ódio de classe da burguesia brasileira".Leia completo



Escrito por Toni às 13h32
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