
TV digital brasileira Do sonho ao ralo
Mauro Oliveira*
“Se foi pra desfazer por que é que fez?” Vinícius de Morais
O que levaria um governo, nariz empinado, esperança de um novo tempo, a ter a ousadia de convocar a inteligência nacional para definir um modelo de TV digital que atendesse aos interesses sociais e econômicos do país para depois jogar todo o esforço pelo ralo sem mais (nem menos) justificativas?
O Brasil estaria muito próximo de definir-se por um padrão, a ser adotado de forma integral, desprezando o esforço acadêmico e a competência científica nacionais. Fala-se que, em 10 de março, o presidente Lula anunciará a escolha integral de um dos padrões internacionais para a TV digital brasileira, em detrimento de um modelo híbrido, o único que contemplaria os interesses da nação.
Os tucanos deixaram aos petistas a decisão sobre o futuro da TV digital brasileira. No lugar da simples escolha de um dos padrões existentes (americano, europeu e japonês), o atual governo teve a visão de instituir o SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital), um consórcio de pesquisa comissionado para o estudo e desenvolvimento de um modelo que atendesse aos interesses sociais, tecnológicos, culturais e econômicos da nação.
O interesse social estaria contemplado por um modelo que privilegiasse a interatividade, permitindo o uso de serviços digitais, possivelmente a Internet, promovendo ação efetiva de inclusão digital sem precedentes. O econômico vai desde a independência de um padrão e seus royalties associados à possibilidade de um modelo exportável de TV digital interativa, capaz de interessar grandes mercados emergentes com condições geográfico-sociais semelhantes às do Brasil. O tecnológico estaria na valorização da competência nacional, dando-lhe chance de se consolidar, por exemplo, no campo do software (midlleware e aplicativos). E o cultural no estímulo à produção de conteúdo pela criação de um mercado próprio.
Como dizem os professores Luiz Fernando Gomes Soares, da PUC-Rio, e Guido Lemos, da UFPB, em carta endereçada aos ministros responsáveis pela definição: “enganam-se aqueles que pensam que a adoção de um padrão estrangeiro não afetará a produção de conteúdos”.
Ao conduzirmos o SBTVD, durante quinze meses, adotamos a estratégia de manter aberto um amplo leque de alternativas, mesmo a de que o modelo brasileiro de TV digital viesse a convergir para uma das tecnologias já consolidadas, se tal atendesse aos nossos interesses. O que jamais contemplamos foi a possibilidade de adotar de forma dependente e subalterna a integralidade de qualquer desses padrões. Preservar um espaço para a contribuição tecnológica nacional e para, quando menos, a adaptação da tecnologia aos nossos interesses e necessidades, sempre foi tido como um parti pris lógico irrevogável.
O SBTVD, ao contrário do Sivam, decidido à revelia da inteligência nacional, é um sucesso de planejamento e implementação que seduziu a academia de Norte a Sul do país de Monteiro Lobato. Foram envolvidos mais de 1.500 pesquisadores e 80 instituições de pesquisa e desenvolvimento que laboraram por uma solução para a TV digital brasileira, sem xenofobia, mas com competência, orgulho e soberania.
Tal solução poderia envolver os sub-padrões internacionais estabelecidos, o que é próprio da tecnologia globalizada, a exemplo do que ocorre com os aviões da Embraer que se valem de turbinas, parafusos e o que mais seja preciso, fabricados alhures, sem que percam sua decisiva nacionalização. No mundo contemporâneo, o mercado das comunicações é tão ou mais importante do que o da aviação, assim como é o da tecnologia da informação e da comunicação.
O advento da TV digital é o que se chama de uma janela de oportunidade. Na lógica da sociedade do conhecimento, tão ou mais importante que o produto é a competência tecnológica que se adquire ao desenvolvê-lo. Podemos aqui repetir histórias de sucesso como as da Embraer, Petrobras e Embrapa, ou repetir erros crassos do passado, como quando sob altas pressões, baixos golpes e pesados lobbies internacionais adquirimos o Sivam que nossos técnicos e cientistas poderiam ter desenvolvido.
Que pressões e lobbies, todavia mais surdos, agora nos acometem? Que interesses impedem o governo de promover um amplo debate na sociedade, em assunto que diz tão de perto à vida de tantos? Que pressa o açoda, quando nenhum fato novo nos pressiona?
O seu Zé do açougue, a dona Maria da bodega e o seu Raimundo vigia podem não entender muito de tecnologia, política etc. Mas que ninguém duvide! Seu Zé, dona Maria e seu Raimundo, da mesma origem humilde de nosso presidente, que entendem muito bem a importância de uma Petrobrás, de uma Embraer, de uma Embrapa, entenderão o ralo ao qual poderá ser jogada uma oportunidade histórica, caso o governo Lula decida pela adoção integral de um dos padrões internacionais de TV Digital.
Já que os políticos ou não têm conhecimento de causa ou por ela não demonstraram o interesse devido, espera-se da academia, esta que apesar de prestigiada no SBTVD manteve-se calada até agora, exceto em raros momentos, soltar logo os “cachorros” para que não nos exponhamos, em 10 de março próximo ou em qualquer outra data, à advertência do poeta: “se foi pra desfazer por que é que fez?”
*Doutor em informática, ex-secretário nacional de Telecomunicações (até setembro/2006).
publicado em Nova-e e Ibase, dentre outras publicações.
Escrito por Toni às 14h07
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O caixa tucano foi condenado, você sabia?
Por Fábio Jammal Makhoul [14/3/2006]
(Revista Fórum - edição 36)
Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.
Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto. Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários. Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.
(...)
O homem-bomba
A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no primeiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do banco.
O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, dois dos maiores negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi destaque ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”.
Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina.
(Leia a íntegra da matéria na edição 36 da revista Fórum - já nas bancas)
http://www.revistaforum.com.br/vs3/artigo_ler.aspx?artigo=26033a5e-0142-4280-973e-298321641e86&pagina=2&Query=&Assunto=&Edicao=&Autor=
Escrito por Toni às 06h10
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A França novamente em chamas
Agora não são mais os filhos e netos de imigrantes pobres do subúrbio invadindo a mídia com seu espetáculo incendiário, mas sim os jovens franceses, rebelados contra aquilo que consideram um simulacro de trabalho. Na Agência Estado de sábado uma interessante matéria aborda o tema, clique aqui para acessá-la.
Dados na UNICEF mostram que 92% dos negros da América Latina são pobres. Uma verdadeira bomba-relógio étnica e racial. Veja aqui uma matéria interessante sobre esse assunto.
A ONU dá início a sua reforma, de forma tímida é verdade. Envolvido por uma grande polêmica foi estabelecido o Conselho de Direitos Humanos em substituição à Comissão de Genebra. Clique aqui matéria tratando do tema.
A gripe aviária continua fazendo mortos e assustando. O UOL trás um mapa na Folha On-line de 16/3/06 muito importante, clique aqui para visualizá-lo.
Clicando aqui você entra numa seleção de textos, com o desenrolar do episódio dia-a-dia, sobre a movimentação do Exército nas favelas do Rio de Janeiro. O assunto continua rendendo muitas e acaloradas discussões.
A notícia quente da semana foi a coroação do governador Alckmin como o candidato à presidente da república pelo PSDB. Numa dura batalha com a cúpula do Partido, que parecia preferir o prefeito José Serra, o governador levou a melhor. A edição da revista CartaCapital que está nas bancas apresenta ótima análise na matéria intitulada “Chuchu na veia”.
Já no PMDB o embate entre governistas e oposicionistas continua duro, envolvendo até mesmo uma guerra de liminares contra as prévias marcadas para hoje entre o ex-governador do RJ, Antony Garotinho e o atual governador do RS, Germano Rigotto. Numa nota publicada às 22h20min de sábado STJ concedeu liminar aos governistas. Na mesma página o presidente do PMDB, Michel Temer, garante que as prévias serão realizadas, mesmo que tenham o caráter de consulta.
A Folha On-line informou por volta das 21h15min deste domingo que Antony Garotinho é o vencedor das prévias informais. Esse cenário se consolidado é muito temido por Lula.
Na Veja desta semana aparecem denúncias contra dois deputados, B. de Sá do PSB-PI e Domiciano Cabral do PSDB-PB.
Nas CPIs os destaques foram Duda Mendonça (CPMI dos Correios) e o caseiro Nildo (CPI dos Bingos). Na edição on-line a revista Época lançou algumas suspeitas sobre esse último depoente ao informar, não se sabe como teve acesso, a sua movimentação bancária de janeiro pra cá, incompatível com seu padrão de vida (clique aqui para ver a matéria).
A semana que entra promete mais encrenca para o ministro Palocci e o governo Lula de forma geral, é só aguardar os desdobramentos da reportagem de Veja.
No tucanato continua uma série de balões de ensaio para a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo.
Esperar pra ver...
Escrito por Toni às 23h19
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