Nós temos uma burguesia muito má
"O Brasil é um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais... Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa. Em suas lindas casas dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vão fazer protesto nada! Vão é para o melhor restaurante cinco estrelas com outras figuras da política nacional fazer o bom jantar.
Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para esse País".
Cláudio Lembro – Governador de São Paulo (PFL) – em entrevista para a Folha de S.Paulo de hoje. Clique aqui (só assinantes da Folha ou do UOL) para ler a entrevista completa.
A entrevista do governador ficaria muito bem na voz de Heloísa Helena (antes dela andar de braços com ACM), Eduardo Suplicy ou Aldo Rebelo, ou ainda alguma ONG humanitária ou mesmo ligada à Igreja Católica.
Nas entrelinhas estabelece as críticas aos seus “amigos”: Alckmin, Serra e FHC. Oportunistas esconderam-se na crise e só abrem a boca para tentar transferir a culpa para o governo federal.
A grande mídia me deixa fulo da vida. Será que não tem um danado de um repórter para lembrar das seguidas declarações do “picolé de chuchu” e sua turma da Segurança, garantindo o extermínio (físico e intelectual) do PCC?
Ninguém vai cobrar esses caras? Porque tanta parcialidade?
Recebo montes de e-mails criticando a política de “direitos humanos”, chegou até um dizendo que o PCC uniu-se ao PT para desestabilizar a candidatura do Alckmin. Como se precisasse!
Como se a política de direitos humanos tivesse sido inventada ontem.
Será que ignoram a História? Fugiram das aulas de Geografia? Nunca ouviram falar da Declaração Universal dos Direitos Humanos?
E as comparações asquerosas com a situação do RJ?
Como se fossemos disputar um campeonato de criminalidade, de espetáculo de violência!
E ainda têm aqueles que sugerem matar todos! Claro, desde que sejam pobres e pretos, ou talvez mulatos, mas obrigatoriamente pobre, pois assim se tornam suspeitos, automaticamente!
Vamos nos vingar! A barbárie no altar máximo dos valores morais!
Gostaria de sugerir algumas leituras para jogar luz nesse pacto de trevas:
Em busca da sensatez – Mauro Santayana
A tática do confronto só aumenta a violência - João Luís Duboc Pinaud
A solução imediata é trocar o secretário de segurança – João Batista Rebouças
Crônica da cidade desvairada – Flávio Aguiar
Nota sobre a violência contra a polícia e a sociedade paulista - Conselho Nacional do Movimento Nacional de Direitos Humanos
A matança dos suspeitos – Maria Rita Kehl
Estatuto do PCC
Escrito por Toni às 21h35
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Insegurança Pública
Infelizmente São Paulo também é refém do crime organizado. Em razão de sua geografia e especificidades as ações dos criminosos diferem daquelas empreendidas pelos bandidos do Rio de Janeiro.
A demonstração de força do PCC é surpreendente. Segundo os principais portais de notícias nesse momento (17H31min do dia 14/5/06):
52 mortos (policiais militares e civis)
100 ataques
57 rebeliões em andamento (já foram 64)
100 reféns
1 diretor de presídio "incendiado"
São números alarmantes. A própria estrutura prisional parece curvar-se ao comando dos criminosos. Aliás, os mesmos que foram anunciados como fora de combate pelo “picolé de chuchu” faz uns dois anos.
Isso só nos faz ver que não adiantam as chacinas, os castigos físicos, as execuções sumárias e a tortura sistemática. A solução não passa por aí.
Os castigos devem ser exemplares, mas dentro da lei. Presos têm que trabalhar e estudar, não podem ter tempo para pensar bobagem; não podem ter celulares à disposição; não podem ter confortos e regalias, não podem ostentar os sorrisos que decoram as páginas dos principais jornais do país hoje, como se zombassem de todos os cidadãos de bem.
Mas é preciso dar-lhes dignidade e possibilidades de recuperação.
É preciso também colocar na cadeia todos os bandidos de colarinho branco, daqueles que roubam nas licitações de ambulância, que lavam dinheiro, que se realizam as custas da miséria do povo brasileiro.
Chega da justiça para os três “p”: pobre, preto e puta!
Escrito por Toni às 17h49
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Quando parece que o coração apanha
Não, não foi no jogo contra o River ou na derrota – mais uma – para o São Paulo.
Estava trabalhando na última terça-feira (9/5) quando pintou uma terrível dor no peito, daquela de escurecer as vistas e rarear o oxigênio, como dizem os mais velhos: vi a viola em cacos.
A dor passou e continuei a dar aula.
Saí do Pueri por volta das 10H50min e fui para o CPV, unidade da Vila Olímpia. Chegando ao estacionamento novamente a dor, desta vez mais branda.
Temi pelo pior. Afinal com a diabete fora de controle além de outros indicadores alterados (tinha visto resultados de um exame no sábado), com 140 kg, vida sedentária e estresse a mil, sei que sou um sério candidato a ter um chilique cardíaco.
Nesse ponto só tenho agradecimentos para a compreensão e solidariedade que recebi dos colegas de trabalho e também das pessoas em cargo de coordenação.
Dirigi-me à emergência do INCOR.
Fui atendido pelo jovem Dr. Guilherme. Sensacional o atendimento. Atenção, busca de detalhes, mas tive a primeira surpresa: internação. A primeira boa notícia: o eletrocardiograma não acusava nada de anormal.
Daí em diante foi só show: espetadas na barriga (afinal tem bastante espaço) com anticoagulantes e depois insulina, eletrocardiogramas aos montes, baldes de sangue disponíveis para exames e remédios.
O Dr. Luciano, responsável pelos médicos que acompanham os pacientes na internação, foi muito atencioso e elucidativo, de uma maneira que não instaurava o pânico e muito menos escondia o jogo.
Enfermeiras e enfermeiros, auxiliares, técnicos, pessoal da copa, enfim, um corpo de funcionários de dar orgulho a qualquer instituição, pública ou privada, coroa o trabalho da equipe médica.
Depois de mais alguns exames e de ficar de molho até sexta-feira no hospital meu coração saiu intacto.
Não fosse pelas inúmeras paixões não correspondidas, pelas alegrias e sofrimentos dos meus 44 anos, diria que ele é praticamente virgem!
Estou decidido a mudar minha vida, buscando mais qualidade e felicidade.
Agradeço a todos os meus amigos, meus colegas de trabalho, meus alunos e aos coordenadores (do CPV, Cursinho da Poli e Pueri Domus) pelo apoio e pela torcida. Também aos meus familiares, que, sobresaltados, acompanharam de perto toda a evolução do meu estado de saúde, mas muito especialmente à minha companheira Ana Lúcia, pela solidariedade, pelo apoio e pela presença.
Por todos vocês, mas principalmente pelo meu filho, Jaime Ernesto, fica aqui registrado a promessa de mudança, para melhor!
Escrito por Toni às 17h26
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