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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Jaguaré, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Política, Livros
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De volta oa Timor

Olá meus amigos

 

Em meio aos jogos da copa estamos ansiosos em função do nosso futuro. Menos incerto agora, pois já temos as reservas de passagens de volta ao Timor-Leste (18/06) e confirmamos com nossos vizinhos que nossa casa não foi queimada ou saqueada como a dos colegas timorenses. Muitos destes são nossos parceiros de trabalho.

Nestes dias me perguntaram como é a Austrália e descobri que não havia me dado conta que estou em outro continente. Nem os cangurus conseguiram me fazer relaxar.

É uma situação difícil de explicar, não estou aqui por que quero, nem sequer planejamos esta viagem. Tive que ajudar uma colega (ela não fala inglês, aliás, nem eu...) a comprar calcinhas porque não havia trazido.

Uma colega teve que voltar a casa porque no restaurante não podia entrar de sandálias. Ela só trouxe isso... E por aí vai, falta de carta de habilitação, cartões de créditos, muita coisa deixada na embaixada do Brasil em malas e caixas. E o receio de sua casa ser destruída? Ou receber más notícias de seus amigos que lá ficaram?

Saímos obrigados e vendo os sinais de destruição ao longo do caminho até o aeroporto. Recebemos apoio de Ongs e inclusive um documento falando dos sintomas psicológicos de pessoas evacuadas de locais em conflito: isolamento, estresse, nervoso, impaciência e muitos outros. Eu não tive nenhum deles, mas enfim pode ser real.

Por fim mantivemos contato freqüente com o Timor e mesmo minha família fazendo coro no telefone para eu voltar para casa, escolhi a minha segunda casa, em Díli. Mas estou seguro de que faremos um bom trabalho neste difícil momento que se encontra o Timor.

A sensação mais marcante para mim foi no primeiro dia em Darwin (Austrália). No primeiro banho que tomei aqui fui me secar com a toalha que veio na mala e ao colocá-la no rosto ela cheirava fumaça...

Abraço a todos e segue em anexo uma carta interessante de uma famosa jornalista, a especialista em Timor-Leste, Rosely Forganes endereçada a mim e uma colega.

Bye

 

Tarcísio



Escrito por Toni às 19h14
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Carta para Tarcísio e Diane

Fiquei muito emocionada com as cartas de vocês. Uma coisa que eu aprendi na vida é que têm decisões que ninguém pode tomar pela gente. Cada um conhece (ou descobre nesse tipo de situação) os seus limites.

Eu sempre digo que ter medo não é vergonha nenhuma. Cada um tem a sua reação. Mas se vocês não se sentem em perigo, ou sentem, mas acreditam que dá pra encarar, fiquem. O risco sempre existe, ele existe em qualquer lugar, em graus deferentes, mas existe.

Tenho um amigo que diz que coragem não é não ter medo, é ter medo e fazer assim mesmo. Nós ainda estamos longe do “último helicóptero de Saigon". Eu acredito que nem vamos chegar lá, as coisas vão se normalizar, sem necessidade de retirada geral, a não ser americanos e australianos que são sempre os primeiros a fugir, neste caso porque para a maioria não tem nada que os apegue a essa terra.

Se a situação mudar e vocês precisarem fugir, fujam. Mas enquanto vocês acharem que podem ficar e ainda, como estão fazendo, ajudando quem precisa, não se deixem impressionar pelos boatos e pelo que dizem outros malais. Conheço esse tipo de situação. Aqueles que têm medo, em vez de reconhecer isso, que não é vergonha nenhuma, se justificam inventando as histórias mais malucas. 

Se os professores portugueses vão ficar, é uma ótima notícia. Não estou no local para avaliar a situação em detalhes. Meu único conselho, em princípio, é que vocês não fiquem espalhados pela cidade. Isolados, nem pensar. Enquanto houver perigo, tentem ficar juntos e próximos dos outros que tomaram a mesma decisão, como os portugueses.

Uma boa precaução é fazer a lista de todos os que ficam, onde, número de celular. Se alguém sair, avisa os outros. Assim, vocês sabem onde achar as pessoas, tanto para procurar como oferecer ajuda.

Só posso dizer uma coisa: os timorenses não esquecem nunca quem ficou do lado deles. Uma das últimas vezes que fui jantar no Carlos, o garçom, um rapaz de 20 e poucos anos, olhou pra mim e disse: "A senhora estava aqui durante a guerra. Eu lembro. A senhora chegou até a casa do bispo e perguntou se ele estava”. É verdade. Mas isso foi em outubro de 1999, que idade deveria ter esse rapaz na época? Durante quantos minutos ele me viu? O tempo de andar até a porta da casa do bispo, perguntar e continuar o caminho. São quase sete anos e toda semana eu encontrava alguém que me reconhecia porque me viu lá durante a guerra, ás vezes durante alguns minutos.

E é com muito orgulho que eles reconhecem a gente. Quer dizer, à maneira deles: “você estava aqui quando nós precisamos, eu me lembro". 

Esse é o povo timorense.

Beijos, coragem, sangue frio e paixão para continuar.

 

Rosely



Escrito por Toni às 19h12
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Brasil 4 x 1 Japão

Na trave! Quase acertei o resultado.

Faltou o baile, é claro, mas o Ronaldinho Gaúcho foi muito melhor do que aquele burocrata dos dois jogos anteriores.

Robinho não brilhou, mas quase! Movimentou-se, começou de maneira insinuante, com dribles e criatividade, mas de repente, como se ouvisse uma voz divina (talvez do banco), encolheu-se, embora com uma movimentação excelente!

Juninho Pernambucano foi bem, movimentando-se com inteligência e rapidez e dando muita precisão ao passe brasileiro.

Demorou, mas vimos uma partida de futebol com cara de futebol brasileiro.

E o “Gordo”? Segundo o Moraci Santana ele está mais magro, com “apenas” 90 kg, ou seja, uns 13 quilinhos acima do peso, o que não seria nada para um simples peladeiro de fim de semana, mas bastante significativo para um jogador profissional. Ainda assim mostrou não ter perdido o faro para o gol, claro que a defesa japonesa não impôs maiores obstáculos.

Se Robinho e Juninho Pernambucano permanecerem no assistiremos um ótimo jogo contra Gana e o Brasil terá chances de encantar a platéia e os amantes do bom futebol, seguindo adiante na Copa.

Cicinho e Fred continuam como ótimas opções, principalmente se o “Gordo” continuar perdendo peso!



Escrito por Toni às 19h00
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Torcendo para Gana

Copa do Mundo está passando da conta!

Eu adoro futebol! Bem jogado, poético, criativo e corajoso.

Não esta coisa medonha que as seleções apresentam nos gramados eleitos a cada 4 anos.

Tudo virou um grande negócio e o medo de perder, a competição extremada, as cifras milionárias envolvidas no jogo e coisas das quais nós, simples mortais, nem sabemos, fazem com que o espetáculo torne-se grosseiro.

Qualquer brucutu bem treinado chega ao profissionalismo hoje.

Os artistas da bola, como Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Juninho Pernambucano dentre outros, são obscurecidos por esquemas táticos, retrancas incríveis e “comandantes” toscos e covardes.

Por isso vou torcer por Gana, pelo menos é novidade!

Palpite para Brasil e Japão: se Robinho e Ronaldinho Gaúcho ignorarem o Parreira e se ainda tivermos a sorte de contar com o futebol de Cicinho e Juninho Pernambucano, Brasil 4 x 0, sem contar o Baile. Agora se for para jogar querendo apenas o ½ x 0, característica mor do “nosso” Parreira, aí dá Japão, 2 x 0!



Escrito por Toni às 14h49
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