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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Jaguaré, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Política, Livros
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Conspiração derruba o Brasil na Copa da Alemanha

Conforme anunciado pelo ilustre Juca Kfouri uma tremenda conspiração, articulada por terríveis forças ocultas, fez com que o Brasil fosse eliminado da Copa do Mundo de Futebol.

Tal conspiração obrigou Ronaldinho Gaúcho a marcar, proibindo-o de expor sua arte ao mundo, tolhendo-lhe os dribles e os malabarismos fantásticos. Obrigou ainda um integrante do time de masters, Cafu, a integrar a seleção profissional.

Para o bem de todos nós, os obesos como eu, tal conspiração trouxe como centro-avante, depositário das esperanças brasileiras de gols, um gordo, excedendo o peso em mais de 13 kg, isso é que é atleta profissional? Que ganha milhões para mostrar sua arte?

Os conspiradores impediram que Cicinho, Robinho e Juninho Pernambucano mostrassem suas habilidades esplendorosas, transformando-os em meros burocratas da bola, coadjuvantes de um futebol covarde e envergonhado, batizado de FUTEBOL DE RESULTADOS!

Podemos aceitar essa mediocridade, até mesmo louvá-la, de outros países que disputam a copa, mas nunca do futebol, consagrado como arte, brasileiro.

Como explicar que o país que recheia os principais torneios do mundo com craques consagrados, não consegue fazer uma equipe vencedora com os tais craques?

Os mentores da conspiração denunciada pelo jornalista Juca Kfouri podem ser nominados: os cartolas, que deixaram o futebol brasileiro nesse atraso de dar dó, uma imprensa (boa parte dela) mais dedicada as patriotados do que a informação, patrocinadores, com horizontes estreitos, que apenas almejam os resultados de curtíssimo prazo, todos eles personificados num esquema tático covarde, submetido à cartolagem e ao patrocinador, comandado pelo representante maior do futebol de resultados: CARLOS ALBERTO PARREIRA!

O Brasil jogou feio, procurando o resultado e perdeu!

Saudades de mestre Telê Santana!



Escrito por Toni às 18h26
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Em quem “não” votar

André Azevedo da Fonseca

 

Desde o começo do ano os eleitores da cidade andam recebendo piscadelas de políticos que decidiram passar a perna nos eventuais adversários e anteciparam, por conta própria, o período de promoção pessoal da campanha eleitoral. De forma maliciosa, inventando ambigüidades e interpretando a lei com manha e malícia, eles anunciam a si mesmos em outdoors, folders, panfletos, encartes de jornal e, em um desrespeito à nossa inteligência, insistem em mentir que essa autopromoção é um “serviço” ao povo.

Vamos ser claros e diretos: essa prática é ilegal, antiética, traiçoeira e cínica, pois todos os envolvidos nesse jogo – cidadãos, eleitores, políticos e assessores de comunicação – sabem muito bem que essas peças publicitárias pseudo-informativas não são nada mais que campanha de autopromoção com vistas às eleições. Ninguém é ingênuo. A cidade deve discutir essa questão com seriedade, pois aí estão em jogo importantes ideais democráticos.

Regras eleitorais são feitas, entre outras coisas, para que todos os candidatos tenham igualdade de condições na divulgação de seu programa e na conquista do voto. Ou seja, para haver lealdade democrática, o período de propaganda eleitoral deve ser o mesmo para todos. Quem ganha com esse princípio é a própria sociedade, pois somente conhecendo todos por igual é possível haver ampla liberdade de escolha.

Políticos que dissimulam e antecipam a campanha têm a conduta egoísta daqueles trapaceiros que furam fila para tirar proveito sobre os honestos que respeitam o lugar de cada um. Essa velhacaria é igual à do personagem “Dick Vigarista”, que nas corridas de carro, no desenho animado, largava antes dos outros, tramava emboscadas e se enfiava em atalhos na pista para chegar primeiro, pois o importante era ganhar de qualquer maneira. Eles são como lutadores malandros que, escondidos do juiz, socam o adversário antes do apito inicial para começar o jogo na vantagem. Políticos que burlam a lei para faturar benefícios pessoais não merecem confiança, pois isso demonstra o caráter antidemocrático e fraudulento de sua conduta pública.

Não nos deixemos enganar por candidatos mesquinhos que agem de má-fé, abusam de nossa confiança e insultam nossa inteligência. A campanha ainda não começou; por isso, ainda não podemos escolher os nossos candidatos. Mas diante desses patifes eleitorais, já podemos pelo menos escolher em quem “não” votar. E para apontá-los, nem é preciso dizer os nomes deles neste espaço. Todos sabemos quem são: há meses eles estão em plena campanha eleitoral.

 

André Azevedo da Fonseca é professor na Universidade de Uberaba (Uniube) e autor de Cotidianos culturais e outras histórias.

 

Publicado em Nova-e (06/2006)



Escrito por Toni às 09h20
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Thierry Henri no centro da polêmica

 

Tenho acompanhado a Copa da Alemanha pelas transmissões da ESPN Brasil que tem um time de jornalistas de tirar o chapéu.

Limito-me a ESPN e algumas notas dos principais portais de notícias e também à leitura constante do Terra Magazine.

Hoje creio que a ESPN deu uma escorregada ao criticar declarações do Thierry Henri. Segundo Soninha Francine, ótima jornalista, ele escorregou no preconceito ao declarar que o brasileiro não vai à escola, por isso é bom de bola.

Não assisti a esta entrevista do Thierry Henri (clique aqui para saber mais sobre esse jogador). Corri então para o UOL e para o Estadão para procurar as declarações desastradas do jogador francês. As encontrei. Clique aqui para ler a nota do UOL e aqui para ler a do Estadão.

Em primeiro lugar a declaração foi muito bem humorada. Depois ele diz que a França ganha do Brasil em escolaridade. Qual a surpresa?

Pela nota do UOL há uma dose exagerada de estereótipo: “o brasileiro joga bola das 6 da manhã às 18 horas da tarde...”, está lá, entre aspas.

Outra escorregada, de parte da mesa do Linha do Passe, mas capitaneada pelo Juca Kfouri, para minha surpresa, foi a de negar a influência de um título como o da Copa do Mundo nos processos eleitorais e políticos.

Claro que não entendo essa equação como linear, mas que um título esportivo, ainda mais o de uma Copa do Mundo, tem a propriedade de adormecer o povo, puro e belo circo, isso tem!

Vimos o uso descarado do futebol nos tempos da ditadura. Havia até um slogan para explicar a fórmula que o João Havelange (presidente da antiga CBD, hoje CBF e depois presidente da FIFA) usava para escolher os times para compor o Campeonato Nacional: “aonde a Arena vai mal, mais um time no nacional, aonde vai bem, também”.

Chegamos a um campeonato com aproximadamente 90 clubes se não me falha a memória.

E o que dizer então da bancada da bola no Congresso Nacional? Como explicar eleições de figuras como Eurico Miranda (RJ), Onaireves Moura (PR), Nabi Abi Chedid (SP), Perrela (MG), dentre tantos outros, senão pelo uso abusivo dos clubes aos quais estavam ligados?

Bom, mas se até os deuses erram, vamos perdoar a turma da ESPN por hoje, ainda mais quando tem a Soninha no programa.



Escrito por Toni às 22h06
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Ola maluk sira (amigos!)

Ontem tentamos chegar ao campo de refugiados para encontrar os professores, mas houve conflitos: correria, muita gente na rua fazendo barricadas e incêndios em frente ao campo... Não pudemos entrar. Difícil explicar isto aos refugiados quando todos reclamaram no dia anterior o abandono por parte de várias organizações.

Enfim Díli é uma cidade em conflito. É surreal almoçar enquanto tanques de guerra passam pela rua e carros de som anunciam que é hora de voltar e ficar em casa. Ontem à tarde não foi possível sair e reuniões foram desmarcadas e o pior é que carro da UNICEF nos disse que não entra no bairro onde moramos, portanto só levaria a casa os outros colegas. Voltamos de táxi sem problemas. Como o bairro é guardado por forças portuguesas a UNICEF não fornece transporte para lá. São muitas variáveis, segurança, educação em emergência, diplomacia...

Os cangurus não fazem proteção eles observam a destruição! Há vários casos em que os australianos chegam ficam perto e não impedem a destruição e os saques. Eu prefiro os portugas que são policiais e sabem como agir nestas situações. Estiveram em Timor anteriormente e têm o respeito da população.

A situação política é mais delicada. Estivemos dentro da manifestação – contrariando alguns – mais pudemos assistir uma grande festa. A expectativa era que o Timor trilhasse o caminho da paz, principalmente com a saída do Primeiro Ministro.

Com a solicitação de resignação de Ramos-Horta – Ministro das Relações Exteriores e prêmio Nobel da Paz – o PM não resistiu e pediu demissão, prontamente aceita pelo presidente.

Mas sabíamos que a saída dele não seria fácil. Há neste momento 7 mil manifestantes na cidade próxima aguardando para entrar em Díli – eles se dizem favoráveis ao Primeiro Ministro. Depois da saída o PM o que eles vão fazer aqui? Há manifestantes contra ainda na cidade e o conflito parece ser inevitável.

Pesa sobre a cabeça do PM a acusação de distribuição de armas a civis para fazer segurança e proteção a ele e seu partido. Este fato foi confirmado pelo Ministro do Interior que prestou depoimentos no Fórum local. Será que seus manifestantes estão com armas também?

O Ministro da Educação demitiu-se e com ele 3 Secretários de Estado. O MEC está fechado e hoje entramos escondidos para acessar a net.

Bom acabou o tempo acabou... Os caminhões da manifestação pró-ministro estão a 30 minutos daqui e a ordem é ficar em casa. Logo nos falamos...

 

Abraço a todos...

 

Tarcísio - 29/6/06.



Escrito por Toni às 20h10
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É copa pra todo lado

Estou um pouco empapuçado de copa, e vocês?

Acho o futebol um esporte apaixonante, um movimento que os sociólogos ainda conseguirão nos explicar, portanto o problema não é o esporte, mas sim a mídia.

Os portais do UOL e do Terra, os de maior audiência, parecem restringir-se a isso somente, com assuntos inúteis nas manchetes, como as “melhores trombadas”, as “musas do jogo” e outras bobagens. Nada contra, mas poderiam fazer um “caderno especial da Copa”, com os resultados dos jogos e as manchetes interessantes na capa do portal, reservando estas bobagens para os amantes do esporte com excesso de tempo.

Enquanto isso o país parece suspenso no tempo e no espaço.

No Senado Federal, por exemplo, o FUNDEB adormece nos escaninhos dos nobres legisladores, parecendo até uma chantagem eleitoral, ou seja, se não aprovam o FUNDEB agora Lula não poderá apresentá-lo na campanha e a grana só chegará aos interessados (nós, o povo) em 2008 (clique aqui para ler matéria da Agência Carta Maior).

O governo federal encerra o ciclo de consultas públicas sobre o Plano Amazônia Sustentável (PAS), com diagnósticos e prognósticos preocupantes, mas a grande mídia faz de conta que isso não existe, nem a preocupação governamental, nem as críticas dos movimentos sociais e muito menos o problema: 61% do território brasileiro apresentando preocupante subdesenvolvimento socioambiental. (Clique aqui e leia matéria completa sobre o tema).

Nas pequenas notas dos portais citados vemos notícias “menores”, como as do UOL: Lula oficializa candidatura, tendo José Alencar como vice; Heloísa Helena lança sua candidatura pelo PSOL; Japão as turras com a Coréia do Norte, além, é claro da questão em destaque, imagino que essencial para a vida do nosso país: quem é o filho perdido de Bia Falcão?

Já no Terra os assuntos subalternos, claro os principais dizem respeito à Copa, mas que merecem destaque são: Bruno Senna conquista a 4ª vitória do ano (?); cantor Daniel fratura ombro em acidente de carro; corpo de bebê é encontrado em lixão no Rio; Em campanha, Lula força comparação com FHC, e por aí vai.

Depois ainda dizem que o povo é burro!



Escrito por Toni às 11h17
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Timor - conflito ainda sem solução

Irmãos...

Ontem foi o pior dia desde nosso regresso ao País. Isolados dentro da Sede das Nações Unidas – preparando as ações nos campos de refugiados – estávamos alijados das informações novas e a única que tínhamos era o ultimato dado pelo presidente Xanana Gusmão na noite anterior:

“Se o Primeiro Ministro não resignar eu me demito do cargo de Presidente da República”.

Como até a hora do almoço o Primeiro Ministro não tinha renunciado, um cenário nos passou pela cabeça: Xanana não pode voltar atrás do que disse e Alkatiri está resistente em renunciar, logo o presidente poderá realmente se demitir. E uma coisa era verdade em todas estas projeções: se Xanana abandonar o cargo Timor-Leste entrará em conflitos incontroláveis e a ONU abandonará o país a própria sorte – como fez em outros países anteriormente.

 “Solução só com demissão de Alkatiri”, diz Ana Gomes Fátima Moura Silva.

A solução da “grave crise” em Timor-Leste tem de passar pela demissão do primeiro-ministro, disse ao Diário Digital a eurodeputada Ana Gomes, que responsabiliza Mari Alkatiri pela situação e adverte que se Xanana Gusmão abdicasse da presidência se instalaria o caos e a guerra civil no território, comprometendo a sua independência.

“‘La presencia continua del presidente Gusmão es indispensable para mantener la paz y la estabilidad de Timor Leste’, dijo Hasegawa (representante das Nações Unidas para Timor-Leste).”

Enormes preocupações entre nós. Corrida a bancos, supermercados, estoque até de cartões telefônicos e novas malas de evacuação. No black out da noite anterior muitos já tinham tomado iniciativas semelhantes.

Diriam vocês que estamos em pânico. Falamos isso dos timorenses quando tudo começou, achando bobagem às fugas em massa e a enorme precaução que tinham em fazer todas as coisas: “Eles têm muito medo” ouvi muitos falarem.

Hoje refletimos que todos que chegam agora e observam de longe sempre acham excessivas estas preocupações, porém agora temos as mesmas precauções dos timorenses e os respeitamos ainda mais. Quem viveu 1999 e em 2006 é precavido e sabe como os timorenses funcionam. Nós vivemos apenas 2006 e já estamos compreendendo os sentimentos que permeiam os conflitos por aqui.

Enfim, ao chegarmos em casa – assistindo ao jornal que finalmente aprofundou a discussão sobre a situação atual – soubemos que o presidente falou aos milhares de manifestantes que não sairia e respeitaria a constituição. Hoje o partido do Primeiro Ministro define o que fazer, mais todos falam na troca do chefe de Estado. Estamos mais calmos, aliás, por isso os nossos vizinhos estavam tranqüilos quando chegamos a casa à tarde!

Com a saída do Primeiro Ministro, desejo de todos os manifestantes e agora do presidente, teremos condições de segurança e paulatino retorno à normalidade. Porém, a mais nova democracia do mundo sai derrotada.

Mudança se faz com voto e não com katanas.

Mudança é evidentemente o que todos esperam, inclusive nós que participamos cotidianamente do governo e conhecemos suas limitações. Já demonstrei em mensagens anteriores o distanciamento entre o governo a população, entre discurso e prática deste governo. Mas o que particularmente me decepcionou foi enriquecimento ilícito, a corrupção institucionalizada e incompreensão da separação entre público e privado. Aliás, o mensalão fica no chinelo se comparado ao que vi por aqui...

O que se espera é compreensão destes fatos, o estudo, a discussão, o convencimento e as reivindicações coletivas pacíficas para culminar finalmente com o voto consciente. Bom, se no Brasil ainda não fazemos isso, que dirá Timor que está começando!

Peço então que reflitam e aproveitem a experiência que ora relato para continuarmos a reforçar as instituições democráticas em todo mundo!

Abraço a todos...

 

Tarcísio – Timor-Leste – 24/6/06.



Escrito por Toni às 10h48
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