Não ter raízes
Às vezes isso é um problema, outras vezes solução!
Fazendo uma viagem no tempo percebi como sou desconectado de um lugar.
Vejam, nasci em Lucélia, uma pequena cidade do interior de São Paulo, muito cedo fui para o mundo, com meus pais. Vivemos aqui em São Paulo entre a metade dos anos 60 e dos anos 70.
Morei na zona norte e depois nos bairros operários do fundão da zona sul.
Pelo meio dos anos 70 mudamo-nos para Varginha, sul das Minas Gerais. Lá vivi minha adolescência e início da idade adulta, cronologicamente falando. Em 1981 saí de Varginha, retornei para São Paulo. Nos primeiros anos um grupo de amigos e um amor desvairado me mantiveram amarrados aquela bela cidade do sul das Geraes.
O amor se foi, graças ao grande idiota que sou, os amigos foram tomando rumos diferentes e a própria distância cuidou de nos separar, hoje mantenho contato apenas com um desses amigos lá das montanhas do sul de Minas.
Voltei para São Paulo, a ditadura militar já caminhava para o seu ocaso e me dediquei de corpo e alma a militância política.
Partido clandestino, alimentando o sonho da revolução que nunca veio, movimento popular, construção do Partido dos Trabalhadores, movimento sindical...
Respirava política. Até que “os meus amigos” (ao contrário do que disse Cazuza) chegaram ao poder. Cada fatia de poder que eu via os caras abocanharem crescia minha decepção e desencanto.
Paralelamente a uma carreira profissional num banco alimentava essa intensidade política.
Veio a crise dos 30. Crise profissional, pessoal, financeira, política...
Resolvi virar professor e abandonar todo o resto. Mais um rompimento. Os grandes amigos do tempo do Banco, do Sindicalismo, do Partido, enfim daquele mundo no qual vivia, foram raleando e desaparecendo.
Desde 1993 na sala de aula. Passei por várias escolas e fiz poucos amigos, parece que estou vacinado contra as perdas, por isso não me importo muito em fazer aquisições.
Vínculos mesmo só com uma turma de faculdade. Longas jornadas de truco e cerveja noite à dentro (e a fora), criaram uma amizade que parece ser inquebrantável, embora cada um no seu canto, com seus afazeres, ainda nos reunimos esporadicamente.
Aliás, amanhã tem churrasco, talvez eu até apareça, embora depois da minha internação no INCOR esteja evitando “áreas de risco” (entendam: picanha, cerveja, truco... só!).
Talvez esteja me sentindo velho. Ou a perda de algumas pessoas próximas nos últimos anos tenha me trazido o medo da morte, mas estou com uma vontade irresistível de restabelecer alguns laços, menos com “os amigos” que estão no poder, sentados nas mesas luxuosas do Planalto Central.
Escrito por Toni às 15h15
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TV Digital - Infográfico Link
Para quem ainda não entendeu a TV Digital o caderno Link, do Estadão, publicou um infográfico, no dia 03/7/06, bastante elucidativo, clique aqui para vê-lo.
Escrito por Toni às 08h39
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O sofrimento vai continuar no Timor
Amigos...
Foi eleito um governo provisório com um novo primeiro ministro. O eleito Mari Alkatiri pediu demissão e assumiu a pasta Ramos Horta. Este último é o premio Nobel da paz e ocupava o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros.
A segurança está sob controle segundo o governo e ainda não segundo a população. O fato é que as pessoas estão voltando as suas casas e às atividades normais e o comércio está voltando a abrir. Mas o fato é que as vinganças continuam e conseqüentemente os incêndios em alguns pontos de Díli. Somente agora o governo conseguiu colocar em ação policiais neozelandeses e malaios – os policiais de Timor foram demitidos e os militares restantes, após o conflito, estão aquartelados. Sem os meios de coerção do Estado não há tranqüilidade e isto é comprovado em Timor.
Segue em anexo o texto de Boa Ventura Souza Santos – clique aqui para ler – que mostra a visão portuguesa sobre esta crise e a troca de governo. Há, obviamente, considerações a serem feitas sobre o texto, mas ele desvela algumas questões diplomáticas e políticas de Timor-Leste e do sudeste asiático. Para se ter uma idéia, na última passagem de Bush pela Austrália ele disse que:
- A Austrália é o Xerife da Ásia!
Neste sentido os colegas cangurus têm seguido a risca o conselho do líder americano e parceiro na política externa.
No entanto é importante considerar que o antigo governo timorense não era uma unanimidade como apresentada no texto do colega português. Sim, realmente Alkatiri não se deixou influenciar pelos australianos, mas os recursos conseguidos das negociações sobre o petróleo no mar de Timor nunca chegariam na mão da população. Como segue:
1. A visão apresentada no texto olha para fora como se as atividades internas do governo Alkatiri fossem algo desconsiderável e sem importância. Vivemos um ano e meio de governo e é inegável que se governou para uma oligarquia dominante, esquecendo e distanciando-se significativamente da população.
2. É fato que erraram em dois segmentos estratégicos de um governo: esqueceram e tomaram decisões equivocadas com as Forças Armadas e Polícia e abandonaram o setor de juventude. Para se ter uma idéia, os dirigentes das organizações da juventude são velhos e dentro MEC o setor responsável pela juventude não sabe caracterizar o que é ser jovem, não há legislação que estabeleça estes limites.
3. E por fim é difícil se orientar no meio da falta de informações fornecidas aqui dentro do país. Só há uma fonte de jornalismo e muitas vezes falha, além da opinião dos colegas internacionais com suas análises fantásticas de gabinete, que mesmo sem sair de lá se julgam grandes conhecedores da “alma timorense”. Quem denunciou – ou fez a armação como dizem muitos – a distribuição de armas a civis feitas pelo governo foi à televisão australiana.
Bom finalizando, em termos de educação há ainda muita confusão entre o MEC e as organizações que estão a ajudar neste momento de crise. Os colegas da missão tiveram que refazer três vezes o mesmo trabalho, pois a cada reunião a Unicef alterava o solicitado. Os processos são lentos e o campo que visitamos esta desassistido por que se leva até três semanas para que os projetos aprovados cheguem à ponta, sem contar o tempo de aprovação.
A missão sem uma coordenação eficiente se tornou mão-de-obra gratuita a serviço dos vários interesses em vigor em Timor-Leste, bom isto já é outra história que ainda estou escrevendo.
Esqueci, não poderia de deixar de contar essa. O colega brasileiro que retornava ao Timor-Leste, com passagem oferecida pelo governo brasileiro, chegou em Darwin e não tinha o bilhete pago, conforme confirmado antes no Brasil. Já imaginaram vocês num país desconhecido, com 10 dólares no bolso, sem falar a língua local, sem passagem!
O embaixador, indignado, mandou 100 dólares no vôo que ia a Darwin e comprou um bilhete via Internet para o colega chegar até aqui. Em 2005 antes de começar o programa paguei o mesmo mico no aeroporto de congonhas! Os caras não aprendem nunca!
Abraços!
Tarcísio - 13/7/06.
Escrito por Toni às 09h43
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Violência em São Paulo

Fonte: www.terra.com.br
Escrito por Toni às 19h38
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São Paulo: novamente sob ataque do crime organizado
Parece que não causa mais surpresa, medo ou pânico, mas desde a noite de terça-feira novos ataques estão acontecendo em São Paulo, não só na capital, mas em todo o Estado.
Ônibus incendiados, agentes carcerários e policiais atacados, além de familiares de policiais.
Agora, no início da noite, 10 homens renderam o motorista e atearam fogo em seu caminhão, em plena Marginal do Tietê! Clique aqui e veja essa notícia.
Segundo a Folha de São Paulo os ataques atingiram 18 municípios, com alvos diferenciados, além dos já citados: IML (Guarujá), distrito policial, agências bancárias, supermercados e lojas de carros. Clique aqui e leia a matéria da Folha On-line.
Na esfera política o governo federal volta a oferecer as tropas especiais, que novamente são desdenhadas pelo governador.
O motivo dos ataques? Ninguém sabe ao certo, especula-se em duas direções, uma, sobre a prisão do “alto comando” do PCC em liberdade, foram 4 bandidos presos, outra, a orientação para transferir os principais líderes da facção para o presídio federal de Catanduvas (PR).
Aliás, de forma interessante, a Folha coloca o assunto no caderno “Cotidiano”. É isso: faz parte do cotidiano do paulistano espremer-se entre esses dois bandos, um que tomou conta dos presídios e organizou a criminalidade e outro que tomou conta do aparelho do Estado, com um sistema prisional ineficiente, diminuição do Estado, privataria geral e empobrecimento relativo.
Semana que passou foi divulgado o resultado do Prova Brasil, processo de avaliação do MEC do ensino nos municípios brasileiros. Dentre as capitais, São Paulo cravou o 21º lugar no rol das 26 avaliadas (Brasília ficou de fora). Leia sobre esse assunto clicando aqui.
Alguém seria capaz de encontrar algum nexo entre a indigência do sistema de ensino da capital mais rica do país e os índices de criminalidade ou o avanço do crime organizado?
Escrito por Toni às 19h36
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Coronelismo eletrônico na capa de Carta Capital
CONCESSÕES SUSPEITAS
Coronelismo eletrônico na capa de Carta Capital
Por Luiz Antonio Magalhães em 8/7/2006
A revista Carta Capital dedicou a capa da edição deste final de semana (número 401, com data de 12 de julho) para um assunto que "virou moda" no último mês: o coronelismo eletrônico. As denúncias sobre parlamentares proprietários de emissoras de rádio e televisão e sobre a presença de alguns deles na comissão da Câmara que tem a atribuição de analisar as concessões e renovações das outorgas foram feitas a partir de estudos publicados neste Observatório da Imprensa e também de uma representação do Projor, entidade mantenedora do OI, ao Ministério Público Federal no ano passado. Essas denúncias foram recuperadas em junho pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo e agora chegaram à capa de Carta Capital.
A revista corretamente cita a representação feita pelo Projor e o estudo do professor Venício Lima publicado no OI. Também apresenta um bom material sobre o assunto, embora sem grandes novidades. Na verdade, o material de Carta Capital consolida o que outros veículos já haviam publicado, adicionando o capítulo da decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de adotar o padrão japonês para a TV Digital, que era o pleito da esmagadora maioria das empresas de televisão presentes no mercado brasileiro e acabou sendo atendido pelo presidente.
O que talvez mais chame atenção no material de Carta Capital sobre o coronelismo eletrônico é o tom da reportagem, bastante crítico ao governo Lula. A revista já foi acusada diversas vezes de ser "chapa branca" ou "lulista" e o tom da matéria está em completo desacordo com tal definição.
A íntegra da matéria ainda não está disponível na internet, mas tão logo esteja, o OI reproduzirá na seção Entre Aspas.
Fonte: Observatório da Imprensa
Escrito por Toni às 23h05
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Parreira, o príncipe
Parreira, o príncipe
Porque os príncipes são louvados ou insultados
“... Muitos imaginaram repúblicas e principados nunca vistos ou reconhecidos como reais. Tamanha a diferença se encontra entre o modo como se vive e o modo como se deveria viver que aqueles que se ocuparem do que deveria ser feito, em vez do que na realidade se faz, aprendem antes a própria derrota do que sua preservação. Quando um homem deseja professar a bondade, natural é que vá à ruína. Assim, para se conservar, um príncipe aprenda a ser mau, e que se sirva ou não disso de acordo com a necessidade. Assim, falando das coisas que são reais, todos os homens, em particular os príncipes, por se encontrar mais no alto, ganham notabilidade pelas qualidades que lhes proporcionam reprovação ou louvor. Ou seja, uns são tidos como liberais, outros como miseráveis; alguns são cruéis, outros piedosos; enérgicos ou fracos; estúpidos ou astutos, e assim por diante. Sei que qualquer um reconhecerá ser digno de louvor o fato de um príncipe possuir, entre todas as qualidades mencionadas, as consideradas boas; mas a condição humana não permite nem a posse nem a prática consistente de todas elas. O príncipe deve ser prudente a ponto de evitar os defeitos que lhe poderiam tirar o governo e praticar as qualidades que lhe garantam a posse, se possível; se não puder, com menor preocupação, deixe que as coisas sigam seu curso natural. E não se importe ele de sujeitar-se à fama de ter certos defeitos, sem os quais lhe seria difícil salvar o governo, porque, levando em conta tudo, coisas que parecem virtudes o levariam à ruína e outras, semelhantes a vícios e que, se observadas, trazem bem estar e segurança ao governante".
Extraído do livro "O Príncipe", de Machiavel.
Eduardo Casado
Escrito por Toni às 12h57
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Não vou votar em ninguém e muito menos anularei meu voto
Simplesmente não vou comparecer!
Não posso compactuar com a idéia do voto obrigatório, não mais!
Se o voto é um direito devemos ter o livre arbítrio de exercê-lo, não podemos ser coagidos a isso.
Enquanto perdurar essa situação estúpida, a da obrigatoriedade de votar, os partidos políticos continuarão a depositar suas fichas no horário eleitoral gratuito, nos pequenos brindes de campanha e no carisma de cada candidato.
Não participo mais dessa farsa.
O fim do voto obrigatório faria com que os partidos políticos existissem em tempo integral e não apenas na época das eleições.
Eles, partidos e candidatos, teriam que se fazer conhecer, também às suas propostas e idéias; primeiro teriam que nos convencer de que é importante votar e depois então ajudar-nos a escolher em quem votar.
Voto livre já!
Escrito por Toni às 12h44
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(IN) Segurança Pública
Com a proximidade do horário eleitoral gratuito um tema, que só ganha espaço nesse período pré-eleitoral, receberá destaque especial: segurança pública!
Uns desejarão a Rota nas ruas, outros a pena de morte, outros diminuir a maioridade penal e assim iremos até outubro, novembro o mais tardar para aqueles estados onde houver necessidade de segundo turno, ou caso seja necessário na eleição para Presidente da República.
Ressalte-se que um ou outro candidato tentará fugir do tema como o diabo da cruz, caso notório do picolé de chuchu da tucanada, que depois de décadas no governo paulista vê a política de segurança de seus sucessivos governos destruída, desacreditada e desmoralizada.
A responsabilidade pela atual crise cabe a todas as esferas de governo, sucessivos governos, diga-se de passagem.
O estado de brutalidade que temos hoje não pode ser construído do dia para a noite. É fruto de uma ação continuada de negligência, de impunidade e de crise social consumada com a exorbitante concentração de renda do nosso país.
No plano federal o governo Lula, para ficarmos só no atual governo, deixou passar ótima oportunidade de colocar tal política em trilhos corretos ao perder Luiz Eduardo Soares, vitimado pelas suas corretas intenções de criar uma política de estado para a segurança, acima dos partidos e curtos mandatos de 4 anos (8 no caso de reeleição).
Perdeu mais ainda ao optar pelo modelo econômico do governo anterior, priorizando o pagamento integral dos juros escandalosos da dívida externa e no privilégio aos mesmos setores de sempre: agronegócio, finanças, especulação etc.
Na esfera estadual temos uma notícia emblemática na Folha de São Paulo de hoje, escrita por Thiago Guimarães da Agência Folha, em Vitória, leiam trecho abaixo:
“Presos que passam a noite sentados em ônibus ou guardados em contêineres são uma síntese do panorama da segurança pública no Espírito Santo. Alvo de rebeliões e ataques criminosos, o Estado vive uma crise sem precedentes no setor.
Nas últimas semanas, houve queima de ônibus, toque de recolher no comércio e ações vinculadas a facções criminosas como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho).
O capítulo mais recente dessa história começou em 10 de maio, quando cinco lideranças do sistema prisional do Estado foram transferidas da penitenciária de segurança máxima de Viana para a carceragem da PF (Polícia Federal) em Vila Velha, ambas na Grande Vitória.”
Precisa dizer mais alguma coisa? O exemplo vem do Espírito Santo só para não ficarmos com a idéia fixa em São Paulo.
E os municípios? Claro que eles não têm a responsabilidade constitucional pela segurança pública, mas as políticas sociais se bem implementadas, principalmente no atendimento à saúde, educação, moradia e lazer, podem diminuir a adesão dos mais jovens à criminalidade.
Eu disse DIMINUIR e não ELIMINAR! Sempre que tal assunto vem ao centro do debate, oportunistas berram, de um lado, que bandido é bandido e pronto, enquanto de outro lado culpam apenas a situação de pobreza pela criminalidade.
Nem tanto a terra nem tanto ao mar!
Escrito por Toni às 12h37
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